4° Encontro do Grupo de Estudos do Anarquismo

Guerra Civil Espanhola

 

OATL convida: Grupo de estudos do anarquismo

O presente grupo de estudos visa discutir a teoria anarquista, bem como trazer a luz alguns processos revolucionários e de lutas políticas que tiveram participação dos anarquistas. Entendendo o anarquismo como ferramenta para luta política contemporânea e não somente como uma teoria exótica a ser estudada.

Que o anarquismo seja sempre uma ferramenta útil para as lutas do povo!

19 de Outubro – 15h – SEPE (Rua Evaristo da Veiga, 55 – Centro)

*Para garantir a participação de responsáveis por crianças pequenas disponibilizaremos um espaço recreativo com cuidadores.

 

Texto disparador para o debate: ESPANHA LIBERTARIA: A REVOLUÇAO SOCIAL CONTRA O FASCISMO – Le Monde Libertaire  – INTRODUÇÃO

Texto de apoio: Os Amigos de Durruti Acusam – https://www.nodo50.org/insurgentes/textos/org/06amigosdurruti.htm

 

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Ciclo de debates: 100 Anos da Revolução Russa: Uma Outra Visão

Áudio da palestra com a professora Carla Medeiros, que ocorreu no dia 24/11/2018 no  IFRJ Nilópolis em atividade realizada  durante um ciclo de debates sobre “100 Anos da Revolução Russa: Uma Outra Visão” realizado pela Ação Revolucionária Estudantil – AR  e Coletivo Sindicalismo Revolucionário – CSR.

A professora introduz o debate sobre a revolução exibindo trechos do filme “Outubro” de Serguei Eisenstein.

UMA OUTRA VISÃO DA REVOLUÇÃO: O RELATO

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3° Encontro do Grupo de Estudos do Anarquismo: A Revolução Russa

Textos de apoio para o 3° Encontro do Grupo de Estudos do Anarquismo: A Revolução Russa

título: OS ANARQUISTAS RUSSOS, OS SOVIETES E A REVOLUÇAO DE 1917

autor: Alexandre Skirda, editora: Intermezzo Editoria. capítulos III e IV:

SKIRDA – III

SKIRDA – IV

E não  esqueçam do texto disparador:

O Grande Outubro na Ucrânia – Nestor Makhno

http://www.nestormakhno.info/portuguese/gran_out.htm

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Três meses de governo Bolsonaro

Trecho da participação da Organização Anarquista Terra e Liberdade no debate:

Três meses de governo Bolsonaro

Encontro “Diálogos da Esquerda Socialista” no Espaço Plínio .

Debate completo disponível: https://youtu.be/1b8Eu6hZo28

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Uma análise sobre o Liberalismo no Anarquismo

A Organização Anarquista Terra e Liberdade, fundada no dia 13 de Dezembro de 2011, nasce do movimento popular do Rio de Janeiro com uma linha estratégica e uma história que traçava caminhos bem claros: Construir uma organização anarquista, com unidade teórica e prática, responsabilidade coletiva, e que atuasse como uma minoria ativa nos movimentos sociais, com foco principal de atuação nas favelas e ocupações, por acreditar no protagonismo destes lugares e pessoas na construção do poder popular.

Com o levante popular de 2013, o fascínio exercido pelo anarquismo e a divulgação que a OATL alcançou, provocou o crescimento da organização com um aumento muito grande do número de membros, mas esse processo unificou pessoas em torno de um falso consenso, sem ter uma verdadeira unidade teórica e prática, o que foi solo para o desenvolvimento do idealismo e do individualismo em meio à organização. O resultado disso foram debates cansativos e um cisma que seguiu com o desligamento de militantes.

Esta nova conjuntura, após 7 anos da nossa fundação e de muitas batalhas travadas, nos coloca necessidades e desafios que precisam ser encarados com muita seriedade e maturidade política, superando erros, traçando linhas estratégicas muito bem pensadas, fortalecendo a unidade teórica e prática do grupo, efetuando uma luta madura e radical contra as opressões, consolidando a existência da organização política e suas diferenças em relação aos movimentos sociais (com sua forma e dinâmica interna) criando formas de segurança e atuação que nos aproxime do nosso objetivo, que é a construção do poder popular.

A partir dessa necessidade de superação de erros e de fortalecimento da unidade teórica a OATL expõe hoje a sua análise sobre o liberalismo no anarquismo.

1- Uma análise sobre o liberalismo no anarquismo

Uma das frases mais consistentes e impactantes da Plataforma Organizacional dos Comunistas Libertários, escrita em 1926 por anarquistas russos e ucranianos que se encontravam no exílio após o golpe de Estado bolchevique na Ucrânia (que chegou a ser uma república autogerida e libertária no início da Revolução de Outubro), com certeza é essa:

“É muito significante o fato de que, apesar da força e o caráter incontestavelmente positivo das ideias libertárias, (..) o movimento anarquista permanece fraco a despeito de tudo”.

Já neste texto, os anarquistas e camponeses russos e ucranianos, que fizeram a revolução de 1917 e derrotaram o exército branco, apontam que alguns fatores responsáveis pela inexpressividade política do anarquismo e a incapacidade de suas ideias guiarem o processo revolucionário estão numa leitura desastrosa de alguns conceitos imprescindíveis ao anarquismo como a ideia de liberdade:

No entanto, sem sombra de dúvidas, essa desorganização se origina de alguns defeitos de teoria, notavelmente de uma falsa interpretação do princípio de individualidade no anarquismo. Esta teoria freqüentemente é confundida com a total falta de responsabilidade, os amantes da asserção ‘eu’, com o interesse voltado unicamente para o prazer particular, agarram-se obstinadamente ao estado caótico do movimento anarquista e citam em sua defesa os princípios imutáveis do anarquismo e seus professores.

Mas os princípios imutáveis e os professores têm mostrado exatamente o contrário. Dispersão e quebra de unidade são arruinantes: uma união bem suturada é um sinal de vida e desenvolvimento. Esta negligência de luta social aplica-se tanto às classes quanto às organizações.

Eles sentiram na pele os efeitos dessa desorganização, o desastre provocado pela linha liberal-individualista. Ficaram isolados nas aldeias ucranianas, de armas em punho, enquanto os “libertários” fugiam da revolução, os intelectuais “libertários” fugiam da fome e da guerra civil, os autoproclamados “verdadeiros anarquistas” escreviam textos no exílio os acusando de “bolcheviques”, “anarco-bolcheviques”, “autoritários”, “centralistas”.

Os membros da coluna Durruti, na Guerra Civil espanhola (1936-39), receberam os mesmos adjetivos. Curioso, e nada estranho, é o fato de serem estas as experiências mais fortes e concretas do anarquismo, onde os princípios da autogestão, do fim do capitalismo pela coletivização dos meios de produção sob autogoverno dos trabalhadores, do federalismo, democracia direta, anti-estatismo, ação direta, participação de minorias, valorização da diferença, se realizaram na sociedade e mobilizaram milhões de pessoas. O que os seus críticos fizeram? Quantas pessoas as suas ideias mobilizaram? A quantos corações chegaram? Em que proporção ameaçaram o poder dominante? Essas são perguntas bem atuais. Em tempos de pós-modernismo e militância em rede social (as novas expressões do liberalismo) é fácil perceber que estes são os seus seguidores e como conseguem tornar ou manter o anarquismo como algo inexpressivo, frágil, expressão estética de pequenos grupos de amigos, meros barulhos de facebook contra uns e outros, além do êxtase com novas “tiradas” teóricas.

Aparelhados com novas armas de discurso nascidas na década de 60, que veremos abaixo, não deixaram, entretanto, de usar os mesmos argumentos contra todas as formas de militância organizada, comprometida, séria, dedicada a fomentar os princípios libertários na sociedade e nos movimentos sociais e tirá-lo do desconhecimento e insignificância política. Para estes, como para os críticos dos camponeses anarquistas, todos são autoritários, centralistas, anarco-bolcheviques, marxistas enrustidos, personalistas, heróis, etc. E quais são os elementos da prática destes que eles acusam? De forma bem minuciosa, no que tange ao caráter organizativo e de ação, podemos apontar: a exigência e valor que atribuem à disciplina e responsabilidade, ao planejamento e metodologia, compromisso com o horário nas atividades, cumprimento de tarefas, participação em atividades do grupo, dedicação ao coletivo, autoiniciativa, responsabilidade nas ações, organização coletiva, respeito às decisões coletivas de um grupo, defesa de programas e linhas táticas e estratégias, formação teórica, identidade ideológica, etc. Tudo isso, para esse agrupamento de pessoas, é “careta”, “moralista”, “autoritário”, “marxista”, “machista”, “racista”, “eurocêntrico”, “heteronormativo”, “velho”, “ultrapassado”.

O discurso destes militantes, verdade, é bonito, cheio de emoção e parte de questões muito importantes. Aliás, a crítica à razão e ao “ocidente”, um debate filosófico e político extremamente sério, é constantemente banalizado e fetichizado. Suas ações são marcadas pelo sentimentalismo, por uma excessiva emotividade, e pelo choro final. Uma militância orientada por esses “valores” circula entre o entusiasmo eufórico e a tristeza derrotista, o pessimismo sentimental, o abandono da luta. A fragilidade é a marca dessa militância. Sob o sentimentalismo, quando estão no topo, com euforia, são incapazes de avaliar com calma a realidade, as condições objetivas, as forças e passos do inimigo, entregando-se a ele facilmente. Tudo é “na emoção”, na “espontaneidade”, “sem metodologia, regras e controle”, afinal, idealizam o conceito de liberdade, acreditam-se livres, indivíduos autônomos que não aceitam “controle de ninguém”. O voluntarismo é outra marca de suas ações, pois a base do voluntarismo são dois de seus personagens fundamentais: o indivíduo e a espontaneidade. O voluntarista age por conta própria, seguindo decisões de seu eu, e a partir de uma determinada situação. Ele age por um impulso, guiado pela sua emoção, e quase sempre gera grandes prejuízos ao movimento.

São individualistas. Na arte, alguns poemas e canções lindas foram escritas valorizando o impulso, o sentimento, a liberdade irrestrita, a dor, a tristeza, a espontaneidade, o prazer, mas na política, e sendo a política uma guerra de posições, conflito, luta, dureza, isso só pode levar a um nada. E o nada marca a militância da maior parte dessa tendência. Que força possuem para enfrentar os partidos burocratas, o Estado, e todos os seus inimigos? Quantos prédios e terras ocuparam? Quantas creches construíram? Quantas organizações com produção autogerida criaram? Quantas ações coletivas de ampla proporção moveram contra as diversas formas de opressão? Quando fazem algo este algo logo acaba, racha, se destrói. Por quê? Porque não acreditam numa perspectiva coletiva, não tem um projeto de mundo comum, não constroem caminhos para alcançá-lo, negam toda a formação clássica da esquerda, vivem e se importam apenas com o agora, o presente e os sentimentos deste presente. Daí a grande impermanência que marca essa militância. Não sabem lidar com divergências e erros. Colocam a vontade individual acima do que foi construído e do que precisa ser construído. São liberais, pós-modernos, e é preciso entender porque podem ser chamados assim e porque levam organizações à ruína.

2 – O pós-modernismo como tendência liberal no anarquismo.

A palavra “no”, presente no título deste capítulo, constitui uma tese. Queremos debater o fenômeno do pós-modernismo, sua teoria e prática, como uma tendência atual NO anarquismo e não DO anarquismo. Compreender isso é fundamental, pois a luta pelo conceito de anarquismo como uma experiência radicalmente coletiva, da classe trabalhadora e de todos os grupos oprimidos em luta pela emancipação, é antiga. Já no tempo de Bakunin, Makhno, Louise Michel, da plataforma, a luta contra as interpretações liberais e idealistas do anarquismo era um ponto importante, e o que vemos hoje é a intensificação deste confronto com velhos e novos elementos. Destacar esse conflito é uma necessidade, pois, devido aos esteriótipos lançados sobre o anarquismo pelos partidos marxistas, muitas vezes esta concepção liberal e idealista torna-se a imagem pública de uma filosofia política que para nós, e milhares de anarquistas, possui sentido oposto. Desta forma, destacamos o que consideramos como as duas bases filosóficas principais desta tendência: o liberalismo e o idealismo.

2.1 – O liberalismo

O ponto central da filosofia política liberal é o indivíduo como centro do mundo e o livre-mercado como este mundo. Nesta visão, nascida com a burguesia, o indivíduo deve ser o início, o meio e o fim “de todas as coisas”, realizando-se com perfeição numa sociedade estruturada pelo capital, com livre-concorrência, propriedade privada, circulação de mercadorias, exploração do trabalho assalariado e movimentação de mercados mediados pelo dinheiro. A razão e a forma racional de organização social para os liberais, o Estado, seriam referenciadas neste novo personagem histórico, jamais visto antes, o “indivíduo”. A propriedade privada é a forma da razão, assim se expressou o filósofo liberal Jhon Locke. Trazendo este debate para os dias atuais e para o meio anarquista, o liberalismo se expressa na defesa da liberdade individual como negação de toda forma de organização coletiva ou de toda forma de organização política que retire a “independência” do indivíduo autônomo ou o seu protagonismo. Quer dizer, ele define como autoritária, marxista, bolchevique, leninista, toda forma de decisão e ação que não garante ao indivíduo a possibilidade de decidir e fazer sozinho. Nos termos militantes, qualquer forma de centralização, mesmo sendo de base, com a participação deste, sem qualquer hierarquia ou decisão tomada de cima, como nos moldes do “centralismo democrático” defendido por Lenin ou na forma do “conselho geral” defendido por Marx na I Internacional – um dos motivos da cisão com os anarquistas coletivistas – é repudiada por estes anarquistas. A decisão, em última instância, dizem, cabe à individualidade, ainda que esta se oponha à decisão tomada por seu grupo e que contou com a sua participação. O individualismo é a característica central do liberalismo no anarquismo.

2.3 – O idealismo

Um dos princípios em comum entre marxistas e anarquistas, na I internacional, era a defesa do materialismo contra as tendências idealistas. Na prática, o que isso representava? Trata-se da contestação de uma visão filosófica que resultava em diversas práticas voluntaristas, espontaneístas, que destruíam o movimento social. A base desta compreensão era o lugar que atribuíam à vontade e à ideia. Os idealistas acreditavam que a ideia determinava o real, que o mundo era a sua representação e vontade. Esta perspectiva levou e ainda leva o movimento à ruína, pois ele retira da ação uma avaliação concreta, detalhada, apurada, das condições objetivas do real. Basta, para o idealista, o seu universo subjetivo, o que considera certo, justo, necessário. São as suas vontades e ideias que determinam e movem, exclusivamente, a sua ação. Desse modo, se ele acredita, por exemplo, ser justo deflagar uma greve, ele votará por isso sem considerar qualquer critério objetivo para o seu êxito. Se julgar importante realizar uma ação direta específica, ele fará, ainda que esta coloque o movimento, em determinado momento, contra a sua posição, ainda que esta prejudique todo um movimento de resistência.

2.4 – O pós-modernismo

Quais são os pontos e argumentos principais do atual discurso e prática que identificamos como pós-moderna?

1) Ruptura com a história. Negação das formas de organização e de pensadores do século XIX e início do século XX. Todos são tratados, ainda que não explicitamente, como ultrapassados, superados, etc. A frase emblemática – “Temos que construir a nossa teoria” – parece muito interessante, mas ela carrega consigo uma prática desastrosa. Rompe o fio do tempo, o elo entre as gerações e, com profunda arrogância, desconsidera o que outras pessoas pensaram e fizeram. Desconsidera, inclusive, que o aprendizado é contínuo e se desenvolve no tempo.

2) A interpretação dos debates entorno da “micropolítica”, das esferas políticas do cotidiano, como superação destas formas organizacionais consideradas ultrapassadas, conservadoras e autoritárias (o que é um binarismo e uma oposição extremamente reacionária). No lugar ocupado antes pelas organizações políticas, ela coloca os círculos afetivos por afinidade, os pequenos grupos de convívio íntimo, onde as pessoas relatam suas vivências. Internamente, colocam acima de todas as discussões o debate sobre o “comportamento”, sobre as práticas íntimas dos militantes, fazendo do coletivo e das suas instâncias máximas um espaço, exclusivamente, de discussão sobre a subjetividade de cada militante, sobre suas práticas cotidianas, deslocando-as de outras esferas e lutas e sem pensar uma metodologia coletiva para resolver os conflitos. Caem, assim, sempre nos grupelhos, em pequenos grupos de vanguarda, inexpressivos na vida política.

3) A tese principal, que sustenta o grupo de afinidade, é de que “o pessoal é político”. Cortam uma frase famosa de Malatesta – “Antes de pensar em estabelecer a anarquia no mundo, devem pensar em tornar-se capazes de viver como anarquistas” – e transformam isso num lema para tornar os debates entorno do cotidiano dos militantes como os temas principais ou únicos de um grupo. Esquecem, entretanto, que assim como “o pessoal é político”, “o político não é pessoal”. Dessa forma, caem novamente no individualismo liberal onde o indivíduo decide e faz o que quiser. Esquecem que as contradições atravessam todas as pessoas e que estes debates, portanto, devem partir de casos concretos para atuarem como fortalecimento da pessoa realmente agredida e de aprendizado coletivo, de política coletiva para o próprio grupo e para os movimentos sociais, contra o machismo, o racismo, a homofobia, a transfobia, lesbofobia, e todas as outras formas de opressão e dominação.

4) “A vítima decide” é um lema perfeito desta política liberal onde o poder está no indivíduo. Baseada nela, questiona-se a necessidade de um grupo. Pra que existir um coletivo onde o indivíduo que decide, no fim? Ah, claro, para dar apoio emocional ao indivíduo, ao nosso amigue, pois este é o sentido real de um grupo de afinidade. Ainda: cria-se um sistema de justiça onde a verdade é revelada para além de um discussão, um debate, e sem a necessidade do acusado falar e de se averiguar os fatos. Em profunda contradição com seus teóricos pós-estruturalistas, acreditam numa verdade que está ligada a determinado sujeito a priori. O efeito disso é a conveniência, o oportunismo e a injustiça. Como estamos num grupo de afinidades, os casos aparecem e são tratadas quando são convenientes, quando interessam a determinadas pessoas deste círculo de amigos com convívio íntimo. Cria-se um sistema de justiça mais autoritário e reacionário que o próprio direito burguês, pois regressamos à política de vingança pessoal, de verdade ligada a determinadas pessoas – “se o rei disse, aconteceu”, e de negação do direito de fala do acusado.

5) Não acreditam numa revolução social, numa esfera “macro-política” que alcançaria estruturas e totalidades de uma sociedade. Consideram esta proposta como algo “messiânico”, “religioso”, “teológico”. Acreditam, somente, em “micro-revoluções”, “revoluções moleculares”, transformações no cotidiano do indivíduo e a partir de pequenas coletividades.

6) Na coletividade pós-moderna não há estratégia, programa, política coletiva, análise de conjuntura, pautas sociais, mas apenas o que consideram como “apoio mútuo” entre xs membrxs presentxs. Mesmo os coletivos que não se definem como grupos de afinidades passam a ser como tais pois movem todas as suas reuniões, discussões, ações, para a resolução de conflitos e para o apoio emocional de umx membrx específicx (não se delibera, nunca, uma política geral para um determinado ponto e questão, que alcance todas as pessoas do grupo e dos movimentos sociais, mas apenas uma política individual). Esta lógica, ainda que seja sustentada por uma teoria de negação da família como organização social, acaba tornando um espaço que deveria ser diverso em número de pessoas, bairros, profissões, num círculo quase “familiar”, uma outra família, espaço de amizade, pois o que une essas pessoas é o apoio emocional ao indivíduo. Vale destacar, aqui, que políticas coletivas de apoio mútuo são descartadas por estes, já que escapam do plano íntimo e da pessoa próxima, conhecida. A política pós-moderna é uma política pessoalizada. Só participa dela quem participa do convívio pessoal.

7) A centralidade do indivíduo e a ilusão da liberdade individual. Esta se mostra quando o modelo de centralização coletiva das decisões – unidade tática e responsabilidade coletiva, como as definem a Plataforma Organizacional dos Comunistas Libertários – é tratado como autoritário, burocrático, “bolchevique”. Este confronto acompanha o nascimento do anarquismo e foi debatido por muitos autores em diversos momentos históricos. Segundo traço dessa centralidade: cabe ao indivíduo, independente do coletivo, a decisão em última instância.

8) O vanguardismo. Tratando todos e tudo – fora eles – como conservadores e sustentados em suas práticas por uma filosofia política (liberal e idealista) que garante ao indivíduo o poder exclusivo de ação e à vontade “irracional” o direito legítimo e positivo da ação (resultando, como vimos, no voluntarismo e no espontaneísmo), desprezam o diálogo, o debate, a conversa, o princípio da comunicação. Como a maior parte das vanguardas artísticas, desprezam o outro, o leitor, preocupando-se exclusivamente com sua ação, a sua mensagem e vontade. Agem impulsivamente, transformam a palavra de ordem “rebelar-se é justo” e o lema “não confunda a violência do opressor com a reação do oprimido” num dogma simplista e inquestionável que visa protegê-los da crítica. Sendo justa e boa qualquer ação do oprimido, independente do contexto, não aceitam dialogar sobre suas práticas, fazem ações diretas sem relação com o momento e com as pessoas de uma coletividade. Consequentemente, caem num isolamento completo da “massa” reacionária e opressora, culpabilizando-a.

9) A representatividade do capital. Desde 2013, sobretudo, considerando o campo da militância política, algumas discussões tem se destacado, entre elas o tema da representatividade e do centralismo. Desde sempre, na esquerda, algumas figuras hegemônicas na sociedade exerceram o protagonismo, o lugar maior de visibilidade, fala e expressão. Homens, brancos, europeus, héteros, cis e, em determinado local e tempo histórico, membros da classe média e intelectuais, apareceram muito mais como os grandes lutadores, pensadores, militantes. Eram mais ouvidos, lidos, e um dos motivos era a série de privilégios que possuíam. A crítica, na década de 60, à ideia da representatividade – que expandiu os limites da eleição e atingiu a ideia da verdade e o nível do discurso – saiu dos muros da academia e chegou aos movimentos. No anarquismo e meios libertários, questionou-se o protagonismo destas figuras, apareceu em questão o lugar de fala e a série de privilégios existentes nos meios de esquerda. Fora desse campo ou às vezes dentro dele, fortaleceu-se, por outro lado, passivamente e de modo acrítico, a distância com o discurso de classe e passou-se a exaltar mudanças dentro do sistema (ao invés de rupturas) que são cooptadas ou feitas pelo mercado. Essa via fortaleceu a perspectiva liberal, pautou as questões a partir do indivíduo, do mérito, da conquista individual, e estimulou e valorizou figuras de poder e riqueza como príncipes e executivos negros, número de mulheres que são gerentes de empresa e donas de ações, etc. Sem uma perspectiva anticapitalista, integrada às questões de classe a totalidade de um sistema, levou o importante questionamento do sistema de privilégios e protagonismos nos meios de esquerda e na sociedade à uma via, exclusivamente, de integração ao sistema do capital. É preciso ressaltar! Questionar isso, de modo algum, implica em não apoiar as ações afirmativas, políticas específicas para lgbts, mulheres e outros grupos oprimidos. Mudar a cor de uma universidade, o número de médicos, é importante sim! Agora isso não pode aparecer numa perspectiva capitalista e liberal. Não, as ações afirmativas, ainda que necessárias hoje – justamente porque existe capitalismo e racismo -, não vão tornar brancos iguais a negros. As oportunidades não serão iguais e, entre os ricos e pobres, a “representatividade” nunca será igual. A presença cada vez maior de atrizes e atores negros na televisão, por exemplo, é um aspecto positivo sim na questão da valorização da diversidade, da auto-estima, da valorização de si, no ponto de vista de quem sofre racismo na pele, mas é muito pouco e pode ser muito suja quando guiadas por empresários que buscam apenas mercados de consumo com a estética negra. Neste caso, querem manter o lugar de objeto às mesmas pessoas.

Como o eixo de teoria dessa tendência é a fragmentação – eles pegaram a crítica aos estruturalistas na década de 60 e fizeram o que bem entendiam -, eles afirmaram uma via boa para o capitalismo, algo, inclusive, bem velho, pois o capital já havia operado dessa forma quando foi confrontado com a luta radical e revolucionária das minorias na década de 60.

3 – Reapresentação da organização, dos seus princípios teóricos, estratégicos e ideológicos.

A OATL é uma organização revolucionária específica anarquista de minoria ativa. Nos organizamos em torno de um programa estratégico e histórico, visando como objetivo final a construção do socialismo através da disseminação e fortalecimento dos Organismos Populares, o desmantelamento do Estado e do centralismo político, a expropriação das classes dominantes e o fim da exploração capitalista e de todas as opressões e dominações.

Entendemos o anarquismo como uma corrente do socialismo, um socialismo contra o Estado e federalista. Como um produto histórico das lutas da classe trabalhadora brasileira e internacional, contra o imperialismo, contra a dominação e repressão estatal e contra as opressões dentro do próprio seio da nossa classe.

A organização revolucionária dos anarquistas é uma necessidade histórica e estratégica de um projeto político que conduza para ruptura revolucionária, que garanta a vitória do povo na consolidação de uma sociedade de transição temporal sem classes e contra Estado, no qual o povo avança em suas expropriações, coletivizações e vitórias militares sobre a reação. Desta maneira, a organização revolucionária dos anarquistas é o recipiente que recolhe os frutos do trabalho militante para que não se percam as experiências de luta da nossa classe, dando sentido, continuidade e direção no trabalho social.

Defendemos:

1. O materialismo como método para entender a sociedade, porém um materialismo economicista não é suficiente; são os problemas concretos e objetivos da classe trabalhadora que pautam a nossa luta e nosso método de análise da realidade; são as condições dadas pela influência mútua de fatores políticos, sociais, econômicos, ideológicos, culturais e ambientais colocam as possibilidades de construção dos caminhos da revolução e que ordenam o devir histórico. Rejeitamos, assim, o idealismo, o individualismo, o pós-modernismo, o voluntarismo e o coleguismo.

2. Que a luta pelo socialismo parte do princípio do classismo e da independência de classe, isto é, é só a mais completa emancipação, econômica, política e subjetiva das classes trabalhadoras e de todos os povos que caracterizam a função máxima da revolução social. Entendido como a base da igualdade econômica, o socialismo só existe quando a produção está sobre controle da classe trabalhadora auto organizada.

3. O federalismo – a negação e a destruição do Estado, a Anarquia, a sociedade contra o Estado, do autogoverno dos povos. Da base ao topo, o controle de todas as esferas da sociedade deve estar nas mãos da classe trabalhadora, organizados federativamente em torno da realização das demandas sociais e sua transformação, gerindo a sociedade, negando e destruindo o aparato estatal. É a base da igualdade política.

4. A ação direta como instrumento de ação coletiva da classe, pois a emancipação da classe trabalhadora e dos povos oprimidos é obra de seu próprio e mais revolucionário esforço. Isso significa o não-colaboracionismo com os aparatos burgueses (polícia, forças armadas, judiciário e parlamento).

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Conjuntura internacional: o fascismo como um socorro à classe dominante capitalista e a “fascistização” da democracia burguesa.

   O ascenso do fascismo e da extrema-direita não são  fenômenos descolados da conjuntura histórica. Tampouco estão alheios a luta de classes. Seu ascenso enquanto alternativa viável se dá geralmente no contexto das crises do capitalismo (crise econômica) a qual está diretamente ligada a crise política: crise  de representatividade e descrença na democracia burguesa, como percebemos na conjuntura internacional. O fascismo se oferece para socorrer a classe dominante, a burguesia, quando a máquina da democracia burguesa já não consegue cumprir seus interesses de forma satisfatória. A mesma classe, que antes se colocava como defensora da democracia liberal, para prevalecer seus interesses adere ao fascismo ou ao ideário de extrema-direita. Deste modo, a luta antifascista, deve apontar também para uma luta anticapitalista, afinal a classe dominante quase sempre recorrerá a “salvação fascista” novamente quando for de seu interesse. O fascismo faz parte da lógica capitalista, ele não é um “ponto fora da curva” da “democracia burguesa”.

    Deste modo, a força que as candidaturas de extrema-direita vem ganhando não é um fenômeno local da realidade brasileira mas da conjuntura internacional: vide Trump no E.U.A. ou Marie Le Pen na França, Erdogan na Turquia, só para citar alguns exemplos exemplos. Na América Latina, de um modo geral, essas candidaturas têm flertado com ideias conservadoras tipicas do fascismo: nacionalismo (negação da luta de classes), culto ao líder (o mito), militarismo (ode à Ditadura  Militar), opressão das “minorias”: negros, mulheres, lgbtqi+. No entanto, sob o aspecto econômico a extrema-direita brasileira tem flertado não com o totalitarismo de estado, mas com um ultra-liberalismo, mais adequado aos interesses da classe dominante latino-americana, como temos visto desde o governo de Pinochet, no Chile.

   Outra questão importante é que não necessariamente na nova conjuntura o internacional, o fascismo e a extrema-direita tem necessitado de um golpe de estado no sentido clássico. Embora seja fato que não teriam qualquer dilema moral em fazê-lo. Torna-se uma alternativa menos custosa manter as aparências democráticas e ir, por dentro do Estado, criando sucessivas exeções, medidas “fascistizantes” que, sem abrir mão das eleições periódicas, possam ir gradativamente militarizando o Estado. Esta é uma tendência internacional e podemos notar cada vez mais estados democráticos burgueses recorrendo à medidas dessa ordem (não necessariamente de extrema-direita): a Rússia, no caso da perseguição aos LGBTs, Trump, na perseguição aos imigrantes mexicanos, Edogran, na Turquia, na perseguição aos curdos ou no Brasil e na intervenção militar no Rio de Janeiro. Está em curso uma militarização da vida sob a máscara da democracia liberal, o que diferente de 64, onde havia uma ditadura, hoje temos uma tarefa distinta: de lutar contra esse governo  legitimado pela democracia burguesa.

    No entanto, não acreditamos na tese da “terra arrasada”, que está em curso uma “onda conservadora” que irá arrastar todos e todas e que por isso devemos nos agarrar a qualquer partido social-democrata burguês. Essa tese é muito mais uma retórica política para defender que a classe trabalhadora fique a reboque da conciliação de classe e fortaleça os candidatos da conciliação. Se por um lado o ascenso da extrema-direita é um fato, por outro, a crise da democracia burguesa também abre caminhos para outras alternativas possíveis, como nos apontou 2013 e toda enxurrada de lutas, greves e ocupações que pipocaram de lá para cá e como nos demonstra a luta revolucionária do povo curdo pela sua completa emancipação.

    No Brasil, para entender a questão do avanço da direita conservadora e do fascismo, é preciso discutir o fortalecimento da cultura militar no país. Num momento de crise econômica e política nacional, com perdas de direitos trabalhistas, medidas de austeridade e desemprego, a carreira militar se apresenta como uma alternativa de estabilidade material e financeira de longo prazo para a juventude que segue sendo o setor mais atingido pelas medidas neoliberais e insuflado pelo regime de violência e crise social.  A ditadura civil-militar-empresarial brasileira nos deixou duas heranças principais: a econômica e a cultural. A econômica é uma lição dada à burguesia brasileira: a manutenção de seus privilégios e seus mecanismos de exploração necessita de um braço armado forte que os defenda para si nas crises estruturais do capital e da luta de classes. Hoje, principalmente por conta da crise econômica internacional, a necessidade da burguesia de fortalecimento dos aparatos repressivos ganhou mais destaque e para isso, é necessário um alto investimento nas forças armadas. Daí o porquê de não poder haver crise para os militares. Não há perda de direitos, não há desemprego e enquanto tudo desmorona ao nosso redor, eles sempre estão bem. Essas condições encantam a juventude, que busca na carreira militar condições melhores de vida e trabalho. Essa herança cultural é um dos fatores de avanço dos ideais conservadores e fascistas. A cultura do medo, principalmente propagada pela mídia burguesa, ganha força entre a classe trabalhadora que vê a única saída nas forças armadas nacionais, como por exemplo, os altos índices de violência que foram utilizados como justificativa para a implementação da intervenção federal-militar no estado do Rio de Janeiro. Nessas condições, discursos conservadores ganham forças e legitimam a militarização do Estado e a repressão das classes populares, além de discursos ultraconservadores, racistas, machistas e lgbtfóbicos.

          Sabendo disso, é possível entender como temos hoje o fenômeno Bolsonaro, afinal, a candidatura de Bolsonaro-Mourão-Paulo Guedes dialoga diretamente com essa situação. Abusando da repetição de discursos fáceis, senso comum, achismos e principalmente tendo como base a cultura militar e a cultura do medo, Bolsonaro surge como o Mito salvador do povo, quando na verdade será seu capataz.

Quem são os gerentes do Estado burguês hoje? Qual projeto a classe dominante abraçou na atual conjuntura?

A tríade Bolsonaro-Mourão-Paulo Guedes representa a aliança do mercado com o Estado para o fascismo. Bolsonaro, filiado ao PSL, é a personalidade que falará e fortalecerá o culto ao líder em meio as massas. Ele é o “mito” que se fortaleceu por conta da cultura do medo e do abandono das “pautas sociais” em troca de um discurso de uma “solução rápida para a segurança publica”. Por ser militar da reserva, atende a um outro apelo popular que é à cultura militar, ligada a uma ideia de que “é preciso autoridade para dar jeito na desordem”. O vice de Bolsonaro também é um militar da reserva, filiado ao PRTB. Mourão representa o braço armado da candidatura e sua função vai além de saciar a cultura militar dos brasileiros, mas sim influenciar e ter nas mãos os militares do Brasil. Filho de militar, Mourão ingressa no exército em 1972 quando entra na AMAN, onde no decorrer de sua vida militar ganhou destaque no comando das forças armadas (encurtador.com.br/hjuO6), até que em fevereiro de 2018 foi transferido para a reserva (encurtador.com.br/lDMP8). Mourão começou a ter um maior destaque político ainda no governo Dilma, quando declarou que entre os deveres do Exército Brasileiro está a garantia do funcionamento das instituições e da lei e da ordem, e que se o judiciário não fosse capaz de sanar a política existente no país isto seria imposto pelo exército por meio de uma intervenção militar, que na visão dele estaria prevista na Constituição Federal de 1988 (encurtador.com.br/akyK4). Mesmo na reserva, o general continua tendo enorme influência militar e hoje é, por aclamação (sem necessidade de eleições) o atual presidente do clube militar (encurtador.com.br/gmwxN). Além da questão militar, Mourão tem um caráter político importante de ser analisado: seu partido, o PRTB. PRTB se define como conservador nacionalista e é presidido por Levy Fidelix. Além de todos os posicionamentos conservadores e preconceituosos, o partido tem uma aproximação muito forte de grupos nacionalistas,fascistas e integralistas. Recentemente, a Frente Integralista Brasileira (FIB), lançou em sua página no Facebook um vídeo em apoio à candidatura de membros do PRTB (encurtador.com.br/pqsS7) e em 2016 estava na construção da “Dezembrada” em Curitiba, que seria para o lançamento da Frente Nacionalista, que segundo ela mesma, é um “um movimento político-partidário que reúne agrupamentos nacionalistas de várias tendências cujas vozes eram interditadas na constelação de partidos que gravitam em torno do esquerdismo e do fisiologismo”. O evento contaria com a presença de diversos grupos neonazistas, fascistas, integralistas e o próprio PRTB (encurtador.com.br/eAPR2). Paulo Guedes representa a face do neoliberalismo nessa chapa que tem a função de dialogar exclusivamente com o mercado. Economista pela UFMG, mestre e Ph.D pela Universidade de Chicago, referência no pensamento liberal, Paulo Guedes é um dos fundadores do Banco Pactual e do grupo BR investimentos, além de ser fundador do instituto Millenium que dissemina o pensamento liberal (encurtador.com.br/ewDQR). Além de seu curriculo, Guedes mostra ao mercado para que veio, com a proposta da nova CPMF e o imposto de renda único de 20%, aumentando o valor para os mais pobres e diminuindo para os mais ricos (encurtador.com.br/gpuwM). Com essa característica e dialogando com todos os setores da sociedade, a chapa Bolsonaro-Mourão-Paulo Guedes ganhou espaço e confiança dos setores do nercado, agronegócio e militar, se tornando hoje uma real possibilidade para estes setores.

O QUE FAZER?

        Para nós, não se livra deste assalto ultraconservador que toma as massas numa derrota eleitoral, afinal será apenas uma batalha que o fascismo perdeu, já que continuará com suas ideias vivas no meio do povo. A derrota real do fascismo, se dará quando este for esmagado, erradicado do meio da classe trabalhadora; nas ruas se resolverão os problemas da classe trabalhadora, nos movimentos sociais fazendo frente à cultura militarista, nos sindicatos tocando uma greve geral para combater o avanço do liberalismo e pela manutenção dos direitos dos trabalhadores, a luta pela educação  universal e gratuita, além da luta em defesa das universidades públicas e políticas de permanência estudantil,  levar às ruas as denúncias do conflito genocida que o Estado empreende nas favelas e comunidades; do racismo, machismo e da lgbtfobia.

           Saibamos nos preparar para um acirramento dos conflitos bastante provável e, talvez, inevitável. A resposta é a organização combativa de classe e da juventude, nas ruas, na ação direta, através de movimentos de mulheres, dos movimentos negro, indígena e quilombola, movimentos de favela e também da esquerda que se proponha a fortalecer esta defesa. Trata-se de barrar um projeto que se sustenta no ódio contra mulheres, negros, lgbttq, indígenas, quilombolas e pobres. Estes discursos  legitimam o crescimento de grupos de extermínio, de intolerância às diferenças, do aumento do racismo, homofobia, misoginia, intolerância  religiosa e contribuirão para a institucionalização e aumento das políticas genocidas já em curso contra o povo.

             A tarefa para hoje  é a necessidade de barrar as Reformas de Temer, que mesmo não sendo engendradas por seu governo, será pelo Estado que comandou e que será sua contribuição fundamental para o agravamento do cenário político  no Brasil.  As Reformas serão pauta de todas as “casas dos poderosos”, sabemos, e portanto deverão ser também nas plenárias e assembleias; só a mobilização dos trabalhadores, da juventude e das comunidades para derrubá-las. Só a mobilização popular pode defender e conquistar direitos, combater o fascismo e construir o poder popular.

  • Nossa proposta é a organização popular numa frente unica antifascista, onde estejam presentes movimentos, partidos, organizações e pessoas que queiram combater o fascismo cotidianamente e não somente às vésperas das eleições burguesas. Entendemos que o fenômeno fascista, infelizmente, chegou para ficar e deste modo propomos uma frente antifascista para além da “frente antifascista eleitoral” construída por PT, PCdoB e setores do PSOL.
  • Propomos também a criação de comitês antifascistas por locais de trabalho, estudo e/ou moradia que tenham um recorte de classe e sejam por princípio revolucionários, para que possam construir as lutas locais contra o fascismo e todos os ataques à classe trabalhadora e sirvam também como pontos de mobilização, propaganda e trabalho de base. Nossa proposta também é montar uma relação em rede entre esses comitês antifascistas, para que não sejam núcleos isolados que facilmente seriam eliminados, mas sim que seja uma rede forte na luta contra o fascismo e na construção da revolução.
  • Além da autodefesa contra o fascismo, outra importante tarefa para 2019 é construir na base uma greve geral radical, empurrando as burocracias sindicais para a radicalização e combatividade. Só assim poderemos de fato barrar o aprofundamento das reformas de Temer via Bolsonaro, só assim poderemos conter a politica ultraliberal privatista e reverter a correlação de forças a nosso favor.

          A disputa que se estenderá aos próximos anos e o caminho imediato não deve ser outro senão barrar o avanço do fascismo, hoje e sempre, em qualquer situação histórica, apostando em todas as direções de defesa, em âmbitos políticos e sociais. Entendendo que a luta antifascista deve-se desdobrar também uma luta anticapitalista.

Saudações a todas e todos que lutam.

 

O FASCISMO NÃO SERÁ DERROTADO NAS URNAS, MAS SIM NAS RUAS!

 

 

Organização Anarquista Terra e Liberdade – OATL

Outubro de 2018

arte oatl

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O Fascismo Não Passará!

A onda de ódio e violência que assistimos nos últimos tempos evidencia a necessidade cada vez maior de combater permanentemente o fascismo, em todas as suas expressões. É preciso arregaçar as mangas, focar nos trabalhos de base e na luta cotidiana, resgatando da memória de nossa história de resistência e a organização de espaços de cooperação e solidariedade.

Vivemos em uma sociedade burguesa: autoritária, escravocrata, racista, patriarcal, homofóbica, transfóbica e cada vez mais intolerante. Vencer o fascismo é nosso dever ético e político. É preciso reunir forças para juntos construir uma outra vida possível, que repudie qualquer elitismo ou ódio de raça e gênero. Lutar para transformar toda nossa dor e nossa raiva causada pelas injustiças em motor para fazermos funcionar espaços de resistência que aposte em uma sociedade mais ética e solidária.

Ainda não superamos o pensamento escravista e não superamos a ditadura empresarial-militar. Uma ditadura, marcada pela corrupção, que aumentou de maneira profunda a histórica perseguição, prisão e assassinato de milhares de trabalhadoras/es, negras/os, indígenas, mulheres, homossexuais, deixou graves marcas na sociedade brasileira: a naturalização da violência, da tortura e da militarização, os ódios de classe, de raça e de gênero. Mais do que nunca é preciso desnaturalizar as violências e combater as opressões. É preciso o resgate da memória porque ter memória é evitar que a barbárie se repita. É preciso também resgatar a memória de resistência, das lutas que foram travadas contra a opressão porque isso dá sentido, produz identidade e dá força para prosseguir na luta.

Juntos podemos expulsar todos os fascistas de nossas comunidades. Mas para isso precisamos nos reconhecer enquanto classe trabalhadora, lutar pela libertação da dominação política, da exploração econômica e de um sistema social que nos degrada, como homens e mulheres. A partir dessa luta, surge um novo modo de vida, baseado nas políticas da luta popular.

Nós enfrentaremos o racismo com solidariedade. Enfrentaremos o capitalismo com socialismo. E jamais enfrentaremos o imperialismo com mais imperialismo, mas com o internacionalismo proletário.

Esta é uma revolução mundial: todos os povos colonizados estão agora resistindo, dos caracóis zapatistas aos cantões curdos nos chegam exemplos de uma nova cultura revolucionária, baseada na cooperação e na luta pela libertação, produzindo uma nova política, nascida do desejo popular de trocar um sistema corrupto por um sistema que sirva o povo, um sistema que seja livre da exploração do homem pelo homem, e que satisfaça as necessidades das massas populares.

Por isso nós, como as e os zapatistas, não nos cansamos de dizer: organizem-se, organizemo-nos, cada quem em seu lugar, lutemos para nos organizarmos, trabalhemos para nos organizarmos, pensemos para começar a nos organizar, e encontremo-nos para unir nossas organizações por um Mundo onde os povos mandam e o governo obedece.

As demandas e necessidades do povo são o nosso desejo. É chegada a hora de nos sentarmos juntos e permanecermos unidos para combater a guerra para derrotar nossos opressores. PORQUE NÓS SOMOS GRANDES, EM FORÇA E NÚMERO.

OATL

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[FR] APPEL GLOBAL POUR SOLIDARIETE ET LUTTE – Rio de Janeiro, Brésil.

23 ing

‘’14 aôut, jour internacional de soutien aux 23 activistes condamnés à Rio de Janeiro, em défense du droit de manisfestation, pour tous ceux et celles qui luttent’’.

Nous appelons à tout les mouvemensts sociaux, des organizations et collectifs populaires et révolucionaires, des mouvements d’étudiants et pour la garantie des droits humans, des intellectuals progressistes et d’autres secteurs de la société civile à organizer toute sorte d’action publique et politique au 14 août contre la criminalization des mouvements sociaux en défense du droit de manifestation.

Nous proposons:

– des manifestations et mobilizations devant les ambassades et consulats brésiliens;
– des conférences et débats dans les universités et lycées
– collage d’affiches où l’impression de petites brochures en soutien la campagne #jesoutienles23;
– des citations dans des émissions et social media.

Notre campagne n’a pas besoin que de votre soutien mais très certainement aussi de vos rapports sur ce sujet. Cette criminalization – et d’abord, la lutte que nous lui rendons – sont internationales, donc n’hesitez pas de nous faire savoir de les vôtres.
Dans la perspective de réunir dans cette campagne rapports de plusieurs localités, c’est remarquable ce qui se passe à Ahed Tamimi, jeune activiste de 17 ans qui résiste dans la prision en Israël courageusement et son cas mérite notre soutien et diffusion.

Veuillez régistrer et nous envoyer votre rappel aux 23 sur:

cebraspo@gmail.com

https://cebraspo.blogspot.com/2018/07/manifestacoes-de-repudio-sentenca-dos-23.html?m=1

https://www.facebook.com/liberdadeaospresospoliticosrj

Merci d’avance.

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[PT-BR] CHAMADO GLOBAL DE SOLIDARIEDADE E LUTA

[ES] LLAMADA GLOBAL DE SOLIDARIEDAD Y LUCHA

[EN] GLOBAL CALL FOR SOLIDARITY AND TO FIGHT

[RU] ВСЕОБЩИЙ ПРИЗЫВ К СОЛИДАРНОСТИ И БОРЬБЕ

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[RU] ВСЕОБЩИЙ ПРИЗЫВ К СОЛИДАРНОСТИ И БОРЬБЕ

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17 июля, в Рио-де-Жанейро, 23 активистки/та были осуждены за протесты против проведения в Бразилии Чемпионата Мира в 2014 и за участие в движении ОкупаКамара (“Ocupa Câmara”) – Камара-дос-Вереадорес – муниципальный парламент Рио-дe-Жанейро. Их обвиняют в групповых криминальных действиях с участием несовершеннолетних. Один из осуждённых – Игор Мендэс, уже провёл семь месяцев в тюрьме. Приговор предусматривает тюремные сроки от 5 лет и 10 месяцев до 7 лет. Помимо этого, двое активистов обвиняются в ношении взрывоопасных предметов (петард), что увеличивает их судебный срок до 13 лет. Все осуждённые ожидают суда второй инстанции на свободе.
Дело сфабрикованное. Активисток и активистов обвиняют в участии в протестных движениях.
В ходе расследования, в качестве одного из активных участников движения, фигурировал даже Бакунин))

“14-е августа -международный день поддержки 23-х активисток/в, осуждённых в Рио-де-Жанейро; день защиты права на манифестации; день всех, кто борется”

Призываем все социальные движения, народные и революционные организации, профсоюзы, студенческие движения, группы по защите прав человека, прогрессивных интеллектуалов и всё общество в целом к организации одновременных акций в этот день солидарности и борьбы, против криминализации социальных движений и за защиту права на манифестации.

Возможные акции:

-Уличные манифестации напротив посольств или консульств Бразилии (если есть такая возможность – с вручением писем, осуждающих политическое преследование 23-х)
– В университетах и школах – лекции и дискуссии о криминализации социальных движений.
– Расклейка плакатов и раздача листовок с текстами в поддержку 23-х.
– Растяжки со словами в поддержку 23-х на местах работы, учёбы или проживания.
– Держать плакаты со словами в поддержку 23-х и публиковать фото в социальных сетях.

Предлагаем, в каждой стране или городе, провести в этот день обсуждение политических преследований локальных активистов.

Любая акция поддержки приветствуется!
Давайте покажем, что 23 активистки/та не одиноки!
Нападение на 23-х – это нападение на всех участников социальных движений во всём мире! Наша борьба – классовая и интернациональная!

Присылайте фото и видео акций поддержки! Мы будем публиковать их в течение всего дня. Присылайте на:

cebraspo@gmail.com

https://www.facebook.com/liberdadeaospresospoliticosrj

Более подробная информация о 23-х:

https://cebraspo.blogspot.com/2018/07/manifestacoes-de-repudio-sentenca-dos-23.html?m=1

https://www.facebook.com/liberdadeaospresospoliticosrj

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“14 de agosto, dia internacional de apoyo a los 23 activistas condenados en Rio de Janeiro, en defensa del derecho de manifestación, por todas y todos que luchan”

Convocamos a todos los movimientos sociales, organizaciones populares y revolucionarias, sindicatos , movimientos de estudiantes, grupos de defensa de los derechos humanos, intelectuales progresistas y otros sectores de la sociedad civil para que organizen acciones simultaneas en ese gran día de solidariedad y lucha, contra la criminalización de los movimientos sociales y en defensa de los derechos de manifestación.

Sugerencias de acciones:
-Manifestaciones callejeras frente a las embajadas o consulados brasileros en otros países (si posible entregando cartas repudiando la persecución política a los 23);
-Debates, charlas contra la criminalizaión de la lucha en universidades y escuelas;
-Carteles apoyando a los 23;
-Pancartas en los locales de estudio, de trabajo y viviendas, apoyando los 23;
-Divulgación en las redes sociales de carteles de apoyo a los 23 y a todos y todas que luchan;
-Sugerencia de que cada pais o ciudad aprovechen su apoyo a los 23 para debatir sobre la criminalización de los que luchan en sus localidades.

Hay exemplos de prisiones y persecuciones políticas por todas las partes del mundo, como el exemplo más reciente de la joven palestina Ahed Tamimi que durante seis meses resistió con bravura en la cárcel.

Cualquier acción de apoyo será bienvenida.
Demostremos que los 23 no estan solos!
Ese ataque representa un ataque a todas y todos los que lucham en todas las partes del mundo! Nuestra lucha es clasista e internacionalista!

Registre sus acciones de apoyo! Estaremos divulgando durante todo el día las manifestaciones que nos lleguen de distintas localidades! Mande su foto o vídeo para:

cebraspo@gmail.com

https://www.facebook.com/liberdadeaospresospoliticosrj

Para mas informaciones acese:

https://cebraspo.blogspot.com/2018/07/manifestacoes-de-repudio-sentenca-dos-23.html?m=1

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