A histórica greve da educação de 2013

O acampamento da educação acabou. A greve da rede estadual acabou. A escola pública – a escola do Estado, do racismo, da homofobia, da produção das desigualdades – ainda continua a mesma. A direção do sindicato, a mesma que votou por mais de 1 mês pelo fim da greve, continua lá e também continua a mesma. Tudo isso, realmente, é um fato, mas uma coisa importante precisa ser dita. Uma nova geração, sem idade e sem tempo, nasceu. Novas formas de pensar o mundo, a vida, a luta, a educação, a revolta, o amor, a paz, a guerra, surgiram, se expandiram, cresceram. Elas estão ligadas ao que existiu de mais forte desde as imensas mobilizações de Junho. Ela tem o rosto e o calor de todas e todos que estão presos – como Soledad, Victor e outros -, internados agora nos hospitais – como nosso camarada Marcão -, todos que foram feridos por balas, bombas, cacetetes, pelo ódio e pelo medo do Estado. Ninguém mais pode negar: a revolta popular destruiu o mito do país pacífico, o mito da harmonia fundada no estupro da escrava pelo senhor, o mito sangrento do país das três raças onde os mortos sempre foram os mesmos e as mesmas. Esta revolta, esta paixão, esta indignação contra toda dor, violência e tristeza imputada à vida, chegou às educadoras e educadores e coloriu uma greve extremamente vitoriosa que levou milhares às ruas, que fundou novas ideias, novos pensamentos, novos sonhos. Não conquistamos agora e ainda a educação que queremos, a escola que desejamos, mas abrimos uma fissura na ordem. Queimamos o bloqueio. Desarmamos o pessimismo, os preconceitos, as resignações. Atingimos o fundamento ideológico da reação, que é a crença de que nada pode mudar, que tudo será assim mesmo, e que só podemos conquistar o que é menos, pouco, o que é lei, Estado, medo. Todas aquelas e aqueles que por todos estes meses construíram esta greve colocando sua vida em risco, sua vida em jogo, a vida em questão, saem dela com uma convicção e uma certeza inabalável: “As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra”.
Que este tumulto, este espírito anárquico, esta força rebelde, esta pedra na mão, este escudo em punho, floresçam, se espalhem, brotem… como e com a alegria daquela criança que foi à rua defender sua professora, seu professor, seu presente, seu futuro.

A luta continua camaradas!
O futuro é nosso!

Saudações da Organização Anarquista Terra e Liberdade (OATL) a todas e todos que construíram a histórica greve de 2013.

Todxs às ruas essa segunda (28) as 7h! A educação exige respeito!

TODO PODER AO POVO

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