Carta do GEP retirando-se da Frente de Oposição no SEPE/RJ

Reproduzimos no nosso site a carta escrita pelo GEP onde este explica os motivos para ter saído da Frente de Oposição pela Base – SEPE/RJ.

CARTA DE SAÍDA DA FRENTE DE OPOSIÇÃO

Diante do contexto de lutas que hoje se apresenta, vimos se tornar inviável a permanência do Grupo de Educação Popular (GEP) na frente de oposição pela base. Reconhecemos os esforços e a luta sincera dxs companheirxs que constroem ainda a frente, nascida da insatisfação e das frustrações da categoria diante das posturas reacionárias e entreguistas assumidas pela direção do nosso sindicato durante a greve de 2013, mas hoje percebemos que divergimos em diversos pontos, questões e também em alguns princípios que são muito importantes para nós enquanto grupo atuante na educação pública e em outros movimentos sociais.

Hoje, temos entre nossos pontos principais, a equiparação salarial entre todos os funcionários ligados a educação, visto que entendemos que todos que estão na escola educam, desde a merendeira ao professor; vemos ainda a emergência de uma mudança nos modelos de nosso sindicato, como afirmamos em nossa tese e enquanto grupo no congresso. Defendemos a saída da atual direção e a substituição deste modelo hierarquizado por uma forma de organização horizontal, estruturada desde a base através dos representantes de escola e de conselhos de representantes nas regionais e núcleos, que teriam a função de trazer de forma real as dificuldades e problemáticas de cada unidade escolar, já que toda escola teria seus representantes e portanto voz para expressar suas particularidades e desafios. Acreditamos fortemente na unidade entre os que estão na luta e no combate a esta direção atual, mas vemos que nossos ideais, neste momento, não estão sendo fortalecidos por esta frente de oposição, e que muitas vezes eles até se chocam com ela, sendo portando vazia e sem sentido a nossa presença na frente.

Enquanto grupo defendemos um modelo divergente em diversos pontos do que hoje é apresentado por certos setores da frente. Não concordamos com a participação, por exemplo,  no sistema eleitoral referenciado na democracia burguesa (como no caso dxs companheirxs que constroem o PSOL). No ano do “Não vai ter Copa”, mas que também é um ano de eleições burguesas, nossas estratégias e táticas fatalmente nos colocarão em campos opostos e achamos mais honesto expor nesse momento nossas divergências. Isso não signica que não possamos construir junto e dialogar no sindicato, mas que avaliamos que a conjuntura evidencia diferenças políticas que nos levam a reavaliar a nossa tática de compor a frente.

Outra questão importante é que  não acreditamos no modelo de Estado e, portanto, também estamos na luta contra este modelo sindical estatista e corporativista, que reproduz em uma esfera menor a burocratização que tanto rejeitamos. Sendo assim, também não concordamos que a frente devesse focar na construção de uma chapa para direção do Sepe (sabemos que muitxs grupos e companheirxs também tinham a mesma visão que a nossa). Do mesmo modo, nos opomos também a qualquer medida que venha a fortalecer a burocracia no nosso sindicato. Somos, antes de tudo, um grupo que preza pela educação libertaria e revolucionária, e assim também nos portamos em teoria e pratica. Acreditamos que o trabalho de base deve começar nas escolas, nas comunidades e que não basta apenas fazermos parte das instancias de nosso sindicato (embora também seja importante), como nas regionais e núcleos, quando muitas vezes estes já estão viciados nestas praticas que rejeitamos e só funcionam para reafirmarem os interesses dos mesmos.

Informamos que nossa retirada da frente de oposição pela base se refere, portanto, apenas a questões de diferenças políticas estratégicas e ideológicas por nós defendidas, e que nos colocamos sempre abertos ao trabalho em cooperação com os demais grupos e independentes que hoje compõem esta frente, para lutas e discussões, visto que continuamos, apesar destas diferenças de método, em uma luta comum, por uma educação a serviço do povo.

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