Como a polícia e a mídia, PSTU segue criminalizando o anarquismo

Como a polícia e a mídia, PSTU segue criminalizando o anarquismo

“Nenhuma ditadura pode criar a liberdade do povo, nenhuma ditadura pode ter outra finalidade senão a de durar o máximo possível, de gerar a escravidão no povo e de educá-lo nessa escravidão; a liberdade só pode ser criada pela liberdade”

Mikhail Bakunin

O mês de Junho, deste ano, já entrou para a história do nosso país como o período das maiores revoltas populares integradas em todo o Brasil. Sem acreditar nas mudanças por meio das eleições e pelo Estado, sem “obedecer” os “chefes” dos partidos institucionais que há décadas se apoderaram dos sindicatos e entidades estudantis, o povo foi às ruas, às barricadas, se organizou nas comunidades, nos locais de trabalho e mostrou a sua força. Conquistou a confiança em si mesmo, politizou todas as esferas da vida e colocou em pauta o que muitos acadêmicos e conservadores haviam decretado como impossível ou “passado”: a possibilidade de construir outra sociedade a partir de uma transformação radical, de uma revolução social.
Todas estas mobilizações desmontaram pretensas “verdades” e causaram desespero e medo não apenas nos governos, mas também naqueles grupos partidários e burocráticos que sempre tiveram como objetivo tomar conta deste Estado capitalista ou “comandar as massas inconscientes” para um novo Estado onde eles seriam o governo e, a “massa” ignorante, os seus explorados e oprimidos. Bakunin, bem antes da constituição dos Estados burocráticos mal denominados de socialistas, já advertia:

“Conforme a teoria do Sr. Marx o povo não apenas deve destruir o Estado, como, ao contrário, deve consolidá-lo, torná-lo ainda mais forte e, sob esta forma, colocá-lo à disposição de seus benfeitores, de seus tutores e de seus educadores, os chefes do partido comunista, em suma à disposição do Sr. Marx e seus amigos, que começarão a libertá-lo à sua moda. Tomarão nas mãos as rédeas do governo, porque o povo, ignorante, necessita de uma boa tutela; criarão um banco do Estado único que concentrará em suas mãos a totalidade do comércio, da indústria, da agricultura e até da produção científica industrial e o exército agrícola, sob o comando direto dos engenheiros do Estado, que formarão uma nova casta sábio-política privilegiada”.

As duas grandes vitórias de todo este processo, até agora, foi a valorização da ação direta e o fortalecimento e criação de órgãos de poder popular, de democracia direta. O povo que se revolta põe em questão o princípio da democracia representativa e exige o poder de decidir por si mesmo, coletivamente, em assembleias e organizações de base. Por isso, assistimos hoje os partidos autoritários se unirem, pois eles veem a proliferação de uma autonomia que não podem aceitar e nem mesmo conceber. Assim, eles guerreiam para manter o velho formato das mesas burocráticas, impedem outros grupos e independentes de se escreverem e falarem, manipulam as falas e tentam encaminhar todas as pautas e agendas que eles já haviam decidido em reuniões entre eles mesmos. As plenárias, sobre este comando autoritário, tornam-se a “farsa” que eles necessitam para se dizerem democráticos e plurais.
Dentro de todo este comportamento e reação dos partidos políticos diante das novas mobilizações, aflora também a perseguição e “caça” aos anarquistas, chegando ao caso mais grave de criminalização ocorrida por aqueles que dizem defender a “unidade da esquerda”. Depois do PT e do PCdoB acusarem os anarquistas de “terroristas” e de ocorrerem várias prisões de anarquistas em todo o país, o PSTU tomou a dianteira nesta batalha, fazendo cartazes, textos e panfletos de acusação ao anarquismo. No último panfleto divulgado pelo PSTU-RJ – no “Boletim Estadual Junho. 2013” – este partido chega ao absurdo intolerável de acusar os anarquistas de se aliarem a policiais e grupos nazi-fascistas nas agressões que eles sofreram e que nós denunciamos, prestando toda a solidariedade aos que víamos ainda como companheiros. Neste panfleto, amplamente distribuído na última plenária do Rio de Janeiro do dia 25 de Junho, consta a seguinte colocação:

“Uma coisa é entender que ainda haja um sentimento antipartido neste momento das mobilizações. Porém é inaceitável que grupos anarquistas, neonazistas e policiais infiltrados se juntem para tentar tirar nossas bandeiras”.

Nós, da Organização Anarquista Terra e Liberdade (OATL), consideramos “inaceitáveis” as agressões ocorridas e também “inaceitáveis” e “inadmissíveis” estas associações de grupos anarquistas com “policiais infiltrados” e “grupos nazi-fascistas”. Nossa organização é composta por empregadas domésticas, diaristas, professores, operários da construção civil, estudantes, trabalhadores do setor de serviços que lutam diariamente por um mundo igualitário e justo, um mundo onde não haja propriedade privada, fascismo e qualquer opressão. Muitos de nós já foram presos ou perseguidos pela polícia e pelo tráfico de drogas. Concentramos nossa militância cotidianamente nas favelas, ocupações sem-teto e escolas públicas, nos lugares onde estão as trabalhadoras e trabalhadores mais explorados, mais oprimidos, e convivemos com a violência diária do Estado e da direita. Quando o PSTU divulga afirmações como estas, ele está contribuindo com os mesmos que nos prendem e nos perseguem, com os que criminalizam o anarquismo e o tratam como “associações criminosas”.
Exigimos, deste modo, uma retratação do PSTU por esta acusação intolerável e reafirmamos, também, que continuaremos na luta, no combate, por uma vida sem policiais, sem prisões e sem capitalismo. A luta não pode parar, interromper! Pelo socialismo libertário! Pelo Poder Popular!

ORGANIZAÇÃO ANARQUISTA TERRA E LIBERDADE (OATL)

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Uma resposta a Como a polícia e a mídia, PSTU segue criminalizando o anarquismo

  1. Adriano Figueiredo disse:

    O povo precisa de liberdade!!! Precisa de novas “visões de mundo”!! O anarquismo pode ser uma importante chave para romper com o status quo.

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