Congresso Intercultural da Resistência dos Povos Indígenas e Tradicionais do Maraká”nà

coirem

Por um Congresso de Resistência dos Povos do Maraká’nà!

Comunidades de base indígenas, negras (quilombolas), de pescadores e trabalhadorxs artesanais, favelizadas, do Brasil, de Abya Ayala (América Latina), e de diversos recantos de todo o mundo, um público estimado de cerca de 500 pessoas envolvidas diretamente, irão se encontrar entre os dias 4 e 12 de junho no 1º Congresso Intercultural de Resistência dos Povos do Maraká’nà – Coirem, na região metropolitana do Rio de Janeiro, da cidade-sede da Copa do Mundo deste ano de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

O objetivo deste 1º Coirem é: 1.Aprofundar a caracterização do contexto internacional de retrocesso social (político-institucionalizado, ‘flexibilização’, restrição e perda de direitos), recuperação do poder de classe das classes capitalistas e de avanço do fascismo; 2. Construir estratégias de enfrentamento deste cenário; 3. Constituir as bases de formação da primeira universidade-aldeia indígena intercultural no Brasil, como espaço de formação para a luta dos povos pré-coloniais e pós-capitalistas.

Além dos debates e resoluções, este será um encontro de lutas, de formação na ação, pois o Rio de Janeiro é a cidade-modelo internacional do projeto de cidade-empresa, e de sociedade de consumo, global capitalista de exceção, showroom das mais novas tecnologias de controle social militarizado. Que obedece a uma dinâmica de produção social-privada do espaço e apropriação capitalista transnacional, de perda de soberania dos estados-nação (e, consequentemente, de indiferenciação entre os campos políticos de esquerda e de direita), e de cerceamento e cessação dos direitos civis e políticos, de manifestação, de greve, de ir e vir…

O maraká é um instrumento de percussão, utilizado por centenas de povos indígenas, de forma ritual e em situação de conflito, de resistência. Na cosmologia indígena, a cabaça de que é feito o instrumento preserva em si a cosmologia ancestral destes povos. Seu som tem um poder místico. No interior desta cabaça, diversos tipos de sementes ressoam. Maraká’nà é o nome de uma aldeia interétnica (que congrega representações de mais de 20 etnias). É uma aldeia retomada em 2006, pelo Movimento Tamoio dos Povos Originários. Sua história nos remete a importância do conhecimento das sementes indígenas para a humanidade. E a sua constituição, histórica, como bem-público comunitário destes povos, como reserva de manejo indígena.

Desde 2013, esta Aldeia, que fica ao lado do Estádio-sede do jogo final da Copa (que não vai acontecer), o Estádio do Maracanã, vem sofrendo sucessivas e sistemáticas arbitrariedades. Foi desalojada, no dia 22 de março de 2013. Mas retomou seu território, após as jornadas de lutas deste ano, no dia 5 de agosto. No dia 16 de dezembro, ainda em 2013, a Aldeia foi novamente desalojada de forma truculenta e arbitrária, sem mandado judicial, por ordem discricionária do governo, pela Tropa de Choque da Polícia Militar.

A autogestão coletiva, territorializada, do trabalho e das condições de vida, em situação de resistência, é uma das questões preementes deste Congresso. Assim como a auto-defesa das comunidades de base. Além do fortalecimento das redes internacionais de luta anti-capitalista, de contestação das formas autoritárias de poder, e de solidariedade entre os povos historicamente oprimidos.

A OATL participa com a Teko Haw (espaço de resistência ancestral) Maraká’nà, de processos de educação popular e do Muitiró de construção do 1° Coirem. Após a remoção da Aldeia, estivemos juntos, em uma (re)ação extraordinária: a Resistência ocupou a reitoria da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, e, em seguida, o Hotel Novo Mundo e a Fundação Darcy Ribeiro, como forma de denúncia e desmantelamento da farsa armada pelos governos estadual e federal para tentar legitimar o desalojo e entregar o território da Aldeia para a gestão privada de um Consórcio privado de empresas, liderado pela empreiteira Odebrecht (uma das maiores empresas transnacionais com sede no Brasil, é também uma das maiores beneficiárias de investimentos públicos, de recursos da poupança dos trabalhadores).

O que está em jogo é a privatização ou autogestão públcio-comunitária do território indígena, e a sua exploração pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) e por seus patrocinadores, é o loteamento deste espaço popular em espaço de cultura fast food, da Coca da Copa do MacDonalds, da Ambev, da Odebrechet Infraestrutura e agrobusiness, e sua cadeia de produção de sementes modificadas, agroquímicos, químicos, etc, comercial e consumo, de pavimentação da memória da terra, da tradição ancestral, do manejo, de domesticação das sementes, dos saberes ali consagrados, e das pessoas aí consagradas, a memória do SPI, da Funai, da ditadura civil-militar aos dias atuais, tudo soterrada pela Copa dos ricos, pela expropriação da terra e da cultura dos de abajo.

MAGÓN VIVE! VIVE!

ZAPATA VIVE! VIVE!

GALEANO VIVE! VIVE!

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