Esclarecimento sobre a plenária da FIP dia 18/10

Esclarecimentos sobre a plenária da FIP do dia 18/10

Ontem, dia 18/10, aconteceu mais uma planária da Frente Independente Popular (FIP), espaço que estamos compondo e ajudando ativamente a organizar desde o seu primeiro minuto. Achamos fundamental a construção da FIP e vemos que ela tem sido capaz não apenas de tocar as principais lutas no Rio de Janeiro, como de agrupar dezenas de militantes independentes em torno de uma proposta revolucionária, radical e democrática. A FIP expressa o que houve de melhor no Rio de Janeiro desde as mobilizações de Junho. Não à toa, estão presentes nela muitas companheiras e companheiros que começaram a militar a partir deste momento e que nunca se sentiram representados pelas formas viciadas e eleitoreiras de fazer política. As constantes atividades na central do Brasil com os usuários do trem, a participação na assembleia popular da área portuária, a construção do histórico ato do dia 7 de Setembro, a participação ativa na greve da educação, o apoio a todas as lutas e revoltas populares, é uma marca da Frente Independente Popular e isso ninguém pode lhe tirar.
Estes aspectos positivos, entretanto, não nos eximem de equívocos. Estamos aprendendo com o movimento da luta, com o processo político. Na plenária do dia 18 observamos isso claramente e temos agora diante de nós o desafio de superar erros e práticas equivocadas que podemos reproduzir. Antes de tudo, é importante destacar que ontem tivemos uma plenária com cerca de 200 pessoas numa sexta-feira às 18h. Isso mostra a força da FIP e sua importância. Muitas pessoas se inscreveram e colocaram suas posições acerca da conjuntura que estamos vivendo e da proposta de vigília tirada pela comissão de organização. Sobre este último ponto, sobretudo, criou-se uma forte polêmica, utilizada por oportunistas presentes na plenária. Pela intensa luta que está sendo travada pela frente, muitos oportunistas tem tentado desqualificar nossa militância, inclusive com acusações muito sérias e que precisam ser denunciadas. Ontem, algumas destas pessoas estiveram na plenária e foi um dos nossos equívocos – de todos que compõe a FIP – permitir que estas pessoas tumultuassem a discussão e inclusive permanecessem num espaço que elas vem acusando com mentiras. Uma das acusações feitas, por exemplo, é de que a FIP estaria “usando menores pra praticar atos de vandalismo”. Isso é um absurdo inaceitável, uma prática da mídia, da polícia, e uma pessoa que diz uma mentira dessas não pode estar compondo qualquer espaço conosco, pois ela se torna nossa inimiga. Não foi a FIP e nem nenhuma organização que cometeu atos de ação direta. Foi o próprio povo revoltado com a situação de exploração e opressão que vive. Desse modo, a presença e permanência destas pessoas fez-se um grande erro.
O fato destas pessoas estarem se opondo a vigília, entretanto, não pode ser tratado de forma rasa e com isso confundir posições de outras pessoas e outros grupos. Estas pessoas mal intencionadas que estiveram na plenária para destruí-la não foram as únicas pessoas que tiveram preocupação com a construção de uma vigília divulgada amplamente nas redes sociais. Diversos companheiros que estão na FIP deste o seu princípio, que estão na luta todos os dias da Aldeia Maracanã, na luta em favelas, fizeram falas problematizando esta proposta e de outro modo, sem o terrorismo oportunista como foi feito. Estas companheiras e companheiros que estão em todas as batalhas conosco são oportunistas ou ingênuos? Não, são companheiros que estão na luta construindo todos os dias o poder popular. Nós, da OATL, fomos e somos a favor da vigília, achamos que todo o preso do capital é um preso político, que a luta contra as opressões do sistema carcerário racista deve ser um horizonte de luta nosso, discordando apenas do modo como esta atividade estava sendo realizada. A primeira questão, como falamos na comissão de organização e na plenária, é que decisões como estas não podem ser feitas pela comissão, mas pela plenária. A comissão de organização é uma comissão executiva e deve se manter assim. Não podemos tomar decisões desse nível em espaços que não sejam a plenária, pois este é um princípio irredutível da democracia direta e da FIP. Outro aspecto: acreditamos que todas as lutas precisam ser construídas pelas pessoas que vivenciam diretamente elas. O protagonismo da luta das mulheres deve ser sempre das mulheres; da favela dos favelados; e assim vai. Por isso, e considerando sobretudo a fala do companheiro da Rede de Comunidades e Movimentos Contra Violência que possui uma experiência de muitos anos na luta em favelas e de outra companheira que tem seu irmão preso há dois anos em bangu, defendemos a posição de se construir a vigília e todas as atividades que pontuassem o sistema carcerário com os presos e seus familiares. Chegamos a cancelar nosso grupo de estudos que aconteceria hoje por conta da vigília deliberada na comissão de organização (mesmo tendo defendido neste espaço que esta decisão só pode ser feita na plenária). Mas, a realidade é viva e temos que tomar decisões a partir dela, de suas bases concretas e da discussão com todos os companheiros que compõem a FIP. Levamos em consideração os argumentos e preocupações de quem está na luta, de quem conhece o sistema penitenciário, de quem teve e tem parentes presos, e não de pessoas que usam o discurso jurídico para atravancar lutas e reproduzir burocracias.
Por fim, queremos ressaltar, mais uma vez, a importância da FIP e da unidade que ela construiu. Não houve qualquer racha ou divisão na FIP. Ela continua firma na luta, presente em todas as batalhas e cada vez mais forte e preparada para tocar as lutas em direção ao poder do povo.

Organização Anarquista Terra e Liberdade

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