Manifesto da Organização Anarquista Terra e Liberdade

23

Batizados à ferro e noite, conhecendo, nos últimos anos, prisões, remoções, repressão e covardia, nos organizamos.

Não é uma vida medida à morte que queremos. Também não calamos ao som das pancadas, dos tiros na porta das casas, dos nossos mortos de fome, bala, polícia e de farsas processuais. Não paramos nunca. Por isso quando as companheiras e os companheiros nos perguntam: o que a OATL tem feito? Como está a OATL depois do processo dos 23? Respondemos: o que sempre fizemos e continuaremos a fazer: Tocando a luta política contra toda forma de exploração em nossos locais de trabalho,moradia e estudo plantando no chão a semente da nova vida.

Para nós, junho de 2013 foi um grande levante popular, um marco sem precedentes na história da nossa geração. Um movimento de massas que sacudiu o pais em grandes atos que chegaram a colocar um milhão nas ruas! No entanto, não começamos em junho e não somos apenas “ativistas”: somos militantes políticos que ousaram apoiar diversas lutas do povo. Somos trabalhadoras e trabalhadores que ousam dedicar as suas vidas a lutar contra toda forma de exploração e opressão. Sempre estivemos na luta em movimentos pela educação, pela moradia, de combate às opressões, no movimento negro, indígena, nos sindicatos e locais de trabalho, ajudando a construir através de práticas libertárias – autogestão, apoio mútuo, igualdade, liberdade, ação direta, federalismo – o poder popular. Nunca dormimos! Estamos acesos: corações cheios de vida.

A construção da imagem do sujeito terrorista, o estereótipo do anarquista munido de dinamites e bombas pronto a explodir tudo, não condiz com a nossa história de luta. Continuamos nesses quatro anos, entre as prisões e a condenação, construindo as lutas populares . Os verdadeiros terroristas são aqueles que assassinam nas favelas e periferias, que saqueiam os cofres públicos, que deixam nosso povo morrer na fila do SUS, que lucram milhões com a miséria de nossa gente.

Depois de milhares de horas de escuta telefônica, agentes no encalço dos 23, “delações premiadas”, quebras de sigilo bancário e toda sorte de investigações, tudo que o a repressão conseguiu produzir foi uma sentença genérica, sem nenhum crime individualizado, que enquadra os manifestantes em uma suposta “associação criminosa”, colocando como evidência dessa associação seus vínculos políticos/ideológicos. Um verdadeira farsa processual que entra na lata de lixo da história, ao lado de tantas outras que criminalizaram o movimento operário e as diversas lutas do povo.

No entanto, essa sentença não visa atacar somente nossa organização e aos 23, é um recado claro para amordaçar todas e todos que lutam! Essa sentença não condena os 23, condena os movimentos sociais, o direito de organização e de expressão. No entanto, se eles queriam calar as ruas, o povo criará novos junhos, se eles querem gerar medo e desesperança, só vão gerar indignação e luta. Toda companheira morta, todo companheiro preso, toda casa demolida, toda greve reprimida, são as forças e a chama que armamos noite e dia. Com a certeza de que uma nova sociedade nasce a cada luta, a cada confronto de rua, tomada de terra, e que toda batalha vitoriosa nasce sempre radical e livre, como uma flor crescendo da terra.

O sol nunca se põe para aqueles e aquelas que lutam!”

Não começamos em junho de 2013 e não nos calarão em 2018!

Organização Anarquista Terra e Liberdade/ Julho 2018

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