V Roda de discussão sobre Educação Libertária – “Gaiolas ou Asas?” (15/11)

rod2 No dia 15 de Novembro, às 13h, na Ocupação sem-teto Chiquinha Gonzaga (Rua Barão de São Félix, 110), o GEP (Grupo de Educação Popular) realizará a sua quinta roda de discussão sobre educação libertária. Na última sessão participaram estudantes de escolas públicas, educadorxs, estudantes do pré-vestibular comunitário organizado pelo GEP no Morro da Providência, além de outras companheiras e companheiros.

Na próxima sessão faremos discussões a partir do texto de Rubem Alves, “Gaiolas ou Asas”, ue traz uma reflexão sobre a escola pública e a educação que aprisiona e a educação que favorece a liberdade.

Colocamos o texto abaixo:

Gaiolas e Asas

Rubem Alves

Os pensamentos chegam-me de um modo inesperado, sob a forma de aforismos. Fico feliz porque sei que, frequentemente, também Lichtenberg, William Blake e Nietzsche eram atacados por eles. Digo atacados porque eles surgem repentinamente, sem preparo, com a força de um raio. Os aforismos são visões: fazem ver, sem explicar. Pois ontem, de repente, este aforismo atacou-me: Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controlo. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados têm sempre um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

Esse simples aforismo nasceu de um sofrimento: sofri, conversando com professores em escolas. O que eles contam são relatos de horror e medo. Balbúrdia, gritaria, desrespeito, ofensas, ameaças… E eles, timidamente, pedindo silêncio, tentando fazer as coisas que a burocracia determina que sejam feitas, como dar o programa, fazer avaliações… Ouvindo os seus relatos, vi uma jaula cheia de tigres famintos, dentes arreganhados, garras à mostra – e os domadores com os seus chicotes, fazendo ameaças fracas demais para a força dos tigres.

Sentir alegria ao sair de casa para ir à escola? Ter prazer em ensinar? Amar os alunos? O sonho é livrar-se de tudo aquilo. Mas não podem. A porta de ferro que fecha os tigres é a mesma porta que os fecha com os tigres. Violento, o pássaro que luta contra os arames da gaiola? Ou violenta será a imóvel gaiola que o prende? Violentos, os adolescentes? Ou serão as escolas que são violentas?

As escolas serão gaiolas? Vão falar-me da necessidade das escolas dizendo que os adolescentes precisam de ser educados para melhorarem de vida. De acordo. É preciso que os adolescentes, que todos tenham uma boa educação. Uma boa educação abre os caminhos de uma vida melhor. Mas eu pergunto: as nossas escolas estão a dar uma boa educação? O que é uma boa educação? O que os burocratas pressupõem sem pensar é que os alunos ficam com uma boa educação se aprendem os conteúdos dos programas oficiais. E, para testar a qualidade da educação, criam mecanismos, provas e avaliações, acrescidos dos novos exames elaborados pelo Ministério da Educação.

Mas será mesmo? Será que a aprendizagem dos programas oficiais se identifica com o ideal de uma boa educação? Sabe o que é um “dígrafo”? E conhece os usos da partícula “se”? E o nome das enzimas que entram na digestão? E o sujeito da frase “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante”? Qual é a utilidade da palavra “mesóclise”? Pobres professores, também engaiolados… São obrigados a ensinar o que os programas mandam, sabendo que é inútil. Isso é um hábito velho das escolas. Bruno Bettelheim relata a sua experiência com as escolas: Fui forçado (!) a estudar o que os professores decidiam que eu deveria aprender. E aprender à sua maneira.

O sujeito da educação é o corpo, porque é nele que está a vida. É o corpo que quer aprender para poder viver. É ele que dá as ordens. A inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajudá-lo a viver. Nietzsche dizia que a inteligência era a ferramenta e o brinquedo do corpo, Nisso se resume o programa educacional do corpo: aprender ferramentas, aprender brinquedos. As ferramentas são conhecimentos que nos permitem resolver os problemas vitais do dia-a-dia. Os brinquedos são todas aquelas coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramentas, dão prazer e alegria à alma.

Nessas duas palavras, ferramentas e brinquedos, está o resumo da educação. Ferramentas e brinquedos não são gaiolas. São asas. As ferramentas permitem-me voar pelos caminhos do mundo. Os brinquedospermitem-me voar pelos caminhos da alma. Quem está a aprender ferramentas e brinquedos está a aprender liberdade, não fica violento. Fica alegre, ao ver as asas crescer… Assim todo o professor, ao ensinar, deveria perguntar-se: Isso que vou ensinar, é ferramenta? É brinquedo? Se não for, é melhor pôr de parte. As estatísticas oficiais anunciam o aumento das escolas e o aumento dos alunos matriculados. Esses dados não me dizem nada. Não me dizem se as escolas são gaiolas ou asas.

Mas eu sei que há professores que amam o voo dos seus alunos.

Há esperança…

Rubem Alves

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CARTA ABERTA À SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO E À SECRETARIA DE ESTADO DE ADMINISTRAÇÃO PENITENCIÁRIA DELIBERADA NA ASSEMBLEIA DOS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO DE 15 DE NOVEMBRO DE 2014

indio-maracana20130322-00011-size-598 Até alguns dias atrás, a professora de biologia e indígena da etnia Manauara, do tronco Arawak, Mônica Lima, lecionava para presos nos pavilhões do presídio de Gericinó, em Bangú, zona norte do Rio. O programa é uma das atividades promovidas pela DIESP — Diretoria Especial de Unidades Escolares Prisionais e Socioeducativas. Mônica é conhecida por sua luta em defesa da Aldeia Maracanã e foi vítima de violência policial inúmeras vezes, inclusive nas duas ocasiões em que indígenas foram covardemente despejados do edifício do antigo Museu do Índio. Além disso, Mônica é presença certa nos protestos que têm agitado a cidade desde junho de 2013 e, como educadora, apoia com unhas e dentes o movimento em defesa da educação.
Em setembro, a SEAP entrou com processo administrativo contra a professora solicitando seu afastamento da DIESP, que prontamente acatou a decisão e afastou Mônica de suas atividades. Há dias, Mônica tenta copiar o processo para entender o motivo da sentença, imputada antes mesmo de atestada a legalidade do mérito. No entanto, todos os pedidos foram negados, pois segundo a SEAP e DIESP o processo é “sigiloso”.
Procuradas por email para explicar o afastamento da educadora, a Secretaria de Administração Penitenciária e a Secretaria de Estado de Educação disseram que Mônica “colocou em risco, por atos e procedimentos, o sistema de segurança da Unidade Prisional”, mas não disseram especificamente como.
Em 8 de outubro a servidora foi removida compulsoriamente para Belfort Roxo, o que representa uma ilegalidade pois o concurso que a servidora prestou foi para a DIESP, Regional VIII, Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro.
Reforçamos que a atitude da SEAP é injusta e possivelmente configura uma montagem. Mônica foi criminosamente provocada e constrangida por várias vezes. Perseguição e assédio moral somente não caracterizam a totalidade do que Mônica e os professores de forma generalizada enfrentam frente ao preconceito dos agentes da SEAP. Assusta o fato da DIESP/SEEDUC permitirem, nada fazerem, e ainda colocarem os professores na posição de reféns, os jogando para “serem comidos pelos leões” quando assinam um convênio/parceria com a SEAP, permissivo a tal ponto de criminalizar trabalhadores injustamente. Precisamos ampliar o debate, para que os professore(a)s não sofram mais nas mão de criminosos opressores.
Consideramos que tal prática representa um desrespeito ao trabalho da servidora e aos seus alunos, dado que não há fatos que justifiquem essa atitude das duas Secretarias, configurando assédio moral por motivos políticos, exigimos:
1) O retorno de Mônica a suas escolas prisionais de origem;
2) Cópia dos documentos que foram utilizados pela SEAP para criminalizar e punir Mônica ilegalmente e acatados pela DIESP/SEEDUC sem julgamento do mérito

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Ciclo de debates Anarquistas, a partir do dia 29/10 na UERJ

65504_955043194509782_8955668372847003381_n O ciclo de dabates pretende analisar e debater temas ligados ao anarquismo, na seguinte ordem: Autogestão; Feminismo Libertário; Federalismo e as Formas de Lutas Anarquistas na contemporaneidade. O formato consiste em apresentar um trecho de um filme escolhido pelo professor responsável pela sessão, seguido de uma problematização em dois ou três autores que trataram sobre o tema e uma apresentação de experiências práticas. Ao final de cada sessão, se seguirá um debate.

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Roda de discussão sobre Educação libertária

rod2 Aconteceu, no dia 25 de Outubro, mais uma roda de discussão sobre Educação Libertária organizada pelo Grupo de Educação Popular (GEP). A atividade foi realizada no espaço de formação da Ocupação sem-teto Chiquinha Gonzaga, que este ano completou 10 anos de vida. Participaram da roda alunas e alunos de escolas públicas estaduais, alunos do Pré-Vestibular Comunitário Machado de Assis (Providência, GEP), professores e funcionários de escolas, entre outras pessoas.

Esta foi a quarta edição da Roda e uma próxima sessão está marcada para o dia 15 de Novembro. Convidamos todas e todos que debatem educação para a nossa discussão. vamos compartilhar experiências e construir propostas para uma educação que nos eduque para a liberdade.

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IV Sarau cultural da Maré – Arte e Resistência

O mês de Outubro assinalou a quarta edição do evento Sarau Cultural da Maré, organizado pela Roça, espaço e coletivo composto por moradoras e moradores do Morro do Timbau, no Conjunto de Favelas da Maré. Ignorando o ambiente extremamente violento que enfrentam os moradores do local (graças a ocupação militar do exército, presente há meses a cometer diversos abusos de autoridade denunciados por pessoas locais), o sarau teve o mesmo clima de descontração e resistência política das demais edições. Com microfone aberto, falas de moradoras, apresentações musicais de grupos como “Uns neguin que não se cala”, e a exibição do documentário “Mulheres” do Grupo de Educação Popular (GEP), o evento trouxe a tona debates fundamentais como a militarização, a violência policial, a resistência feminista, negra, entre outros temas. Sem esquecer o lançamento de novos modelos da cerveja artesanal que a Roça produz em autogestão (deliciosas, vale conferir).

E que venham muitos como estes!! Diversão sem Alienação! Arte e Resistência!

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Militante da OATL perseguido consegue liminar da justiça para retornar ao trabalho

pezaoA Justiça, no dia 17 de Outubro,  concedeu liminar que garante a volta ao trabalho do professor, militante do GEP e da OATL, Filipe Proença. Nosso companheiro foi um dos 23 presos políticos encarcerados no 12 de julho, antes do ato da final da Copa do Mundo. Recebeu o habeas corpus que no entanto o impedia de sair da cidade sem autorização judicial. Como trabalha na cidade de Magé a SEEDUC se aproveitou desse fato para processá-lo administrativamente por abandono de cargo, ao invés de alocá-lo no Rio de Janeiro ou aguardar a autorização judicial para o deslocamento. Em virtude desse processo, desde então, o professor estava impossibilitado de trabalhar e com seu salário cortado. Após a liberação da 27 vara criminal, para que Filipe saísse da comarca do Rio para trabalhar, e agora com a liminar que obriga a SEEDUC a devolver suas turmas e seu trabalho, o companheiro poderá voltar a trabalhar, receber seu salário e continuar lutando no dia-a-dia das escolas por uma educação libertadora, a serviço do povo.

PELO FIM DAS PERSEGUIÇÕES POLÍTICAS!

NÃO TEM ARREGO!

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À todas as mulheres curdas”, comunicado da YPJ

10527839_1480961785508164_1983003112090917003_n*C o m u n i c a d o:*

*A resistência de Kobani entrou em seu segundo mês, liderada pelas Unidades de Proteção do Povo (YPG) e as Unidades de Proteção das Mulheres (YPJ). Felicitamos o nosso grande povo em todo o mundo, lutando contra os terroristas em honra e respeito a todos os nossos mártires imortais, enquanto renovamos nosso compromisso de seguir lutando até uma vitória decisiva.*

Querido povo do Curdistão:

Através da resistência temos provado ao mundo inteiro que a personalidade de liberdade dos e das curdas e das mulheres livres que se baseiam em uma filosofia de vida em liberdade, não vão abandonar esta terra e sua dignidade, custe o que custar.

Nesta ocasião, garantimos a todas as mulheres, a nossa gente e à humanidade que as Unidades de Proteção das Mulheres (YPJ) vão lutar em nome de todas as mulheres e com todo o esforço para acabar com o inimigo das mulheres representado pelos terroristas da ISIS (Estado Islâmico). Ao mesmo tempo, tomamos represálias por todas as mulheres Shenga e todas aquelas que foram capturadas e assassinadas pelos do ISIS.

Com nossa mentalidade firme e nossa vontade forte faremos voar nossos corpos contra suas aspirações e mentalidade blindada. Cada metro de nossa terra será um inferno para eles. De novo juramos por nossas companheiras; Arin, Rojda, Sema e outras muitas que faremos de nossos corpos pontes para nossa gente para manter a liberdade e a dignidade.

Tal diabólico poder representa um inimigo para a humanidade assim como para as mulheres, portanto, todas as mulheres deveriam contribuir para eliminar estas forças de escravidão.

Assim, portanto, fazemos um chamado à todas as mulheres no Oriente Médio, e em todo o mundo, para estar com a nossa luta em Rojava assim como a apoiar as Unidades de Proteção das Mulheres. Porque garante a liberdade das mulheres e cria uma nova vida para elas.

Faça o mundo saber que nosso lema é liberdade, ou liberdade.

Nos comprometemos com nossa gente, com todas as mulheres, de que vamos levar seus grandes esforços apontando até a vitória.

*Viva YPJ!*

*Viva a unidade mundial das mulheres!*

*Imortalidade para os mártires da liberdade!*

*Comandante geral da YPJ*

14 de outubro de 2014

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Marileine, mãe de Caio Silva, fala sobre a prisão do filho e de Fábio.

Um dos casos mais violentos e expressivos e que mostram o grande poder da mídia na nossa sociedade. Caio Silva e Fábio Raposo estão presos há mais de 7 meses, encarcerados no complexo penitenciário de Bangu sem qualquer julgamento prévio. Este espetáculo midiático, montado para aprisionar dois lutadores do nosso povo e amedrontar todas as milhares de pessoas que foram às ruas do Brasil, é um exemplo da ausência de democracia e direitos básicos num país que optou pelo encarceramento em massa e na tortura. No ato de lançamento da campanha unificada pela Liberdade dos Presos Políticos, a mãe de Caio Silva, Marileine Silva, fez um lindo depoimento sobre todo este processo, reproduzido no video abaixo.

Liberdade para Caio, Fabio e Rafael!

http://youtu.be/gVfJ2GI-Bu4

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Alfabetização de Jovens e Adultxs na Providência

10712887_333043786878273_8993961579020276816_nO Grupo de Educação Popular (GEP), fundado em 2008, promove desde 2010 uma Alfabetização de Jovens e Adultxs no Morro da Providência, centro do Rio, onde organiza desde 2009, também, o Pré-Vestibular Comunitário Machado de Assis. Todos os projetos de educação popular do grupo baseiam-se numa educação voltada para a liberdade, com estímulo a criatividade e a aprendizagem coletiva.

Como nas imagens, transformamos o barro em objetos, as tintas em imagens e as linhas em letras! Essa potência humana ninguém pode nos negar!

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Roda de discussão libertária (25/10)

7060_309179102598075_2778207336042523944_n Uma das maiores necessidades que sentimos, como alunxs e educadorxs, é de compartilhar o que vivemos onde estudamos ou trabalhamos. Não basta lutar nas ruas por uma educação a serviço do povo, contra a burguesia e o Estado, se reproduzimos, nas pequenas esferas, no cotidiano do espaço educacional onde estamos inseridos, formas que reproduzam este mesmo Estado e esta mesma concepção bancária de educação. Foi nesse sentido que nós, do Grupo de Educação Popular, criamos este ano a “Roda de Discussão sobre Educação Libertária”. Por conta da greve unificada da educação deste ano e do nosso envolvimento nesta luta, tivemos que paralisar um pouco a roda de discussão, mas no dia 25 faremos um novo encontro e convidamos todas e todos para este importante espaço de troca, aprendizagem coletiva e discussão política sobre formas de resistência e luta pela liberdade a partir do nosso dia-a-dia.

Dia: 25/10 às 14h
Local: Ocupação sem-teto Chiquinha Gonzaga (Rua Barão de São Félix 110, central do Brasil)

Texto: GEP

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