Por tudo que queremos e lutamos: agora e sempre

Nos tomaram tantas coisas por tanto tempo. 513 anos e quantas vidas
viraram pó, números, Amarildos que se matam por aí (Onde está Amarildo?).
A maioria negra e pobre, após séculos de escravidão, com seu suor
arrancado, seu corpo consumido, limpando o chão da casa dos patrões,
atendendo telefone nas empresas de telemarketing, queimando o corpo nas
cozinhas dos restaurantes, queimando o tempo no balcão das lojas,
supermercados, bancos, dirigindo ônibus, empurrando um carrinho com
cerveja na rua, estacionando carros, procurando vida em algum lugar. A
televisão e o governo todos os dias nos diziam que a vida estava melhor.
Nossa dívida crescia, trabalhávamos mais, comprávamos mais, os burgueses
donos das lojas enriqueciam, mas tínhamos cada vez menos tempo para viver,
cuidar das nossas filhas, filhos, das pessoas que gostamos. De repente,
quando parecia que nada iria mudar, quando começava a copa das
confederações, o povo vai pra rua e reclama, se organiza. Derruba o
aumento da passagem. Para remoções. Derruba cargos importantes. Põe o
governo com medo. Ele treme… São dois meses de atos todos os dias.
Reuniões. Assembleias nas comunidades. Conversas com vizinhos sobre a
cidade, sobre educação, saúde, trabalho, preconceito. Quando a gente ia
imaginar isso? Passar um domingo conversando de política no almoço de
família?
O governo aumenta a violência, mas aumentam os protestos, as mobilizações.
O palácio do governo vira alvo. A casa do governador vira alvo. O povo
quebra os vidros da rede globo, dos bancos, das lojas. Burgueses do Leblon
choram. Nós falamos: e a Maré? E a Candelária? Cadê o Amarildo? No dia 5
de Agosto, famílias indígenas da Aldeia Maracanã reocupam o antigo museu
do índio, de onde tinham sido expulsas com grande violência. Voltamos a
falar da privatização do maracanã, dos roubos de Eike Batista, das mortes
do Estado. Ao contrário do que vimos antes, o governo manda a polícia sair
da frente da Aldeia Maracanã. A secretária de cultura diz em reunião que o
governo quer entregar o prédio para os índios, mas não aceita que as
pessoas durmam lá. Os índios falam alto, ela abaixa o tom. “A aldeia está
reocupada”.

Isso está virando uma anarquia!

Um mês, dois meses, três meses, e quanta coisa já aconteceu! E por que
isso? Um funk antigo dizia: “O povo tem a força, precisa descobrir, se
eles lá não fazem nada faremos tudo daqui”. Estamos fazendo… A rocinha
para ruas e túneis. A providência grita contra as remoções. A área
portuária chama a assembleia popular. Piabetá chamada a assembleia
popular. A maré para a Avenida Brasil. As mulheres, gays e trans-sexuais
marcham pelas ruas denunciando o preconceito, o machismo e a homofobia que
matam todos os dias. Trabalhadores de todo o país chamam greves. “Isto
virou uma anarquia”, diz Cabral, diz Beltrame, a Veja, o Globo, a elite.
Sim, isto está virando uma anarquia! Pois anarquia significa esta
sociedade nova que construímos cada dia que nos reunimos, nos organizamos,
eliminamos os preconceitos, decidimos juntos sobre nossas vidas sem ter
alguém acima de nós, seja ele o patrão, o Estado, o vereador ou o comitê
central de um partido, quando não esperamos mais de candidatos e legendas
eleitorais para que nossos direitos cheguem, para que a nossa voz seja
ouvida, para que a gente vá pra rua. Quando percebemos que as eleições não
mudam nada, mas que ficar sentado ou apenas não votar também não.
Hoje, cada vez mais, pelo fortalecimento dos princípios anarquistas –
liberdade, igualdade, coletividade, ação direta – que aparecem nas
assembleias, nas ações de rua, nos rostos vendados, cada vez se fala mais
sobre anarquismo. Que bom! Pois foi pelos velhos partidos eleitorais que
nossa revolta foi por muito tempo escondida. Até mesmo a maioria dos que
se dizem de esquerda, comunistas, falam pra gente se acalmar, respeitar a
ordem, a polícia, a propriedade. Ah… quanta história! Todos estão com
medo de nós: a mídia, o Estado, os patrões, a esquerda estatal e medrosa,
e nós entendemos por quê. Nossa bandeira preta vai continuar se espalhando
pelo país e ficaremos cada dia mais próximos da vida nova que será ditada
por todas e todos. Vamos construir isso! Vamos construir a anarquia!

Conheça o anarquismo! Se organize! Discuta com seus amigos de escola, do
trabalho, da comunidade. Vamos nos unir e criar uma nova realidade.

Organização Anarquista Terra e Liberdade – OATL

Esta entrada foi publicada em Uncategorized e marcada com a tag , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.