Quilombo das Guerreiras fará ato dia 28/04 na CDURP (RJ)

O coletivo da Ocupação sem-teto Quilombo das Guerreiras, após 7 anos de luta ocupando o prédio da cia Docas que estava – antes da ocupação em 2006 – há 20 anos abandonado na Avenida Francisco Bicalho 49, foi expulsa do seu lar por conta das intervenções da prefeitura do Rio e do capital nacional e internacional na área portuária do Rio e fará um ato na próxima segunda-feira (dia 28/04, as 13h) em frente a CDURP, órgão responsável pelas obras no porto do Rio e agente fundamental deste processo de remoção sofrido pelos moradores da Quilombo e também de tantas outras famílias também expulsas de suas casas por conta da “Revitalização” do capital. Este ato será também uma manifestação de repúdio às declarações feitas pelo prefeito Eduardo Paes ao jornal Extra, onde ele disse ter dado casas aos moradores da ocupação, quando isto não aconteceu. Hoje as famílias da Ocupação Quilombo das Guerreiras estão sofrendo com a falta de moradia e com todos os problemas que envolvem o programa “Aluguel Social”. Reproduzimos a chamada pro ato e a carta escrita pelo coletivo de moradores sobre as declarações do prefeito.

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Você, que apoia a luta por moradia, que conhece e respeita a história da ocupação Quilombo das Guerreiras e que entende que a atual conjuntura política do Rio de Janeiro necessita da nossa ação direta e da denúncia dos abusos do poder público, venha participar do nosso ato! Vamos gritar junt@s em frente à CDURP contra as falsas declarações do prefeito Eduardo Paes e das políticas que criminalizam o movimento dos sem-tetos. Vivíamos há sete anos num prédio abandonado que transformamos em lar e agora, tratados como lixo, vivemos em situações precárias, sem dignidade e justiça! Não podemos nos calar!!!

Por isto, exigimos:

1- Que o prefeito Eduardo Paes entregue as casas declaradas na referida entrevista ou venha a público manifestar uma retratação a respeito de suas falsas afirmações.
2- Solução de moradia IMEDIATA para o coletivo de moradores da Ocupação Quilombo das Guerreiras.

Minha casa, minha briga! Minha casa me abriga!
Povo de luta, não é de brincadeira!
Aqui quem fala é a Quilombo das Guerreiras!

Para mais esclarecimentos, carta publicada em 09/04/2014:

Carta Aberta

O coletivo de moradores da Ocupação Quilombo das Guerreias, gostaria de pedir ao prefeito Eduardo Paes à gentileza de fornecer os endereços das casas que ganhamos. Ao contrário da declaração em entrevista, não “recebemos” casas através da Prefeitura ao sairmos do prédio na Av Francisco Bicalho 49. Ao que nos consta recebemos até agora o adiantamento de três meses de aluguel social, para que pudéssemos conseguir pagar no máximo o depósito das moradias precárias que conseguimos de forma improvisada. Para que nossos filhos não precisassem sair da escola e que cada um de nós não precisasse abandonar o trabalho, vamos ter que inteirar o aluguel nos próximos meses, pois R$ 400,00 não paga aluguel em nenhum lugar no centro do Rio.
Quanto às negociações que duraram meses, as quais o prefeito menciona na entrevista, ocorreram de fato porque a própria CDURP se intitulou responsável em resolver nosso “problema”. Este, foi ocasionado pela própria Companhia quando removeu comunidades de outros locais e despejou cerca de 70 famílias como lixo humano na parte de trás do imóvel da Av Francisco Bicalho 49, onde residíamos. A sequência deste fato, como se pode deduzir, é que pouco a pouco foram chegando pessoas negociando espaços e alguns moradores da Quilombo das Guerreiras foram ameaçados diretamente por um pequeno grupo de pessoas que só queriam ter lucro, mesmo com o desespero e a miséria das pessoas vivendo sua real necessidade de moradia.
Tal situação “legitimou” o despejo na Av Francisco Bicalho 49, gerado por esta nova e cruel estratégia do Governo. Alguns moradores, neste processo, perderam por completo suas coisas. Entretanto, como já mencionamos aqui, para determinadas coisas não existe indenização. Em meio a isto tudo, perdemos um companheiro valoroso (Ivan Vasconcelos) que teve suas coisas presas no prédio por uma semana, dentre elas sua medicação controlada e seu gato de estimação e, ao conseguir, depois de tudo, permissão para entrar no prédio, foi simplesmente para constatar que NADA mais existia.
Então, pedimos encarecidamente ao prefeito Eduardo Paes, que não brinque com coisa séria, como procedeu na entrevista concedia em 04/04/2014, publicada em matéria do jornal Extra em 05/04/2014 (http://extra.globo.com/noticias/rio/pessoas-que-invadiram-terreno-da-oi-esperam-agora-os-programas-sociais-12101911.html#ixzz2yGUP0kIT). A proposta de reassentamento que o coletivo participa é a do projeto intitulado Quilombo da Gamboa. Este projeto está sob a responsabilidade técnica da Fundação Centro de Defesa dos Direitos Humanos Bento Rubião. Sua aprovação deu-se em 2009 com financiamento do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS). Dentre os imóveis cedidos para a construção das unidades habitacionais estão alguns daqueles destinados à provisão habitacional de interesse social pela Portaria nº 388/2008 da Secretaria do Patrimônio da União. Atualmente, o Projeto Quilombo da Gamboa está inserido no “Programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades” e vem organizando-se através de reuniões mensais, mutirões no terreno e outras dinâmicas de participação coletiva. Quanto ao nosso coletivo da Ocupação Quilombo das Guerreiras, fomos uma demanda apresentada neste projeto pela CMP – Central de Movimentos Populares que, junto com União de Moradia organizam e idealizam conjuntamente o projeto com os futuros moradores. Projeto este, arrastado há cinco anos por questões jurídicas, políticas e burocráticas.
É observado por todas as pessoas mais próximas do coletivo da Quilombo que tentamos durante todo este tempo – sete anos – a permanência no prédio da Francisco Bicalho 49, da Companhia Docas, recentemente, administrado pela Prefeitura do Rio de Janeiro em poder da prefeitura e em vias de negociação com Donald Trump. Sabemos da nossa correlação de forças negativas. Quem somos nós, pessoas comuns, trabalhadores sem-tetos, para competirmos com Trump? E o que é uma moradia autogerida para competir com um contraste gigante de um complexo empresarial Trump Towers Rio de Janeiro? Com participações como: MRP Internacional (Bulgária), Even Construtora e Incorporadora (Brasil) e Organizações Trump (EUA), alguma dúvida sobre este ser o provável futuro da Av Francisco Bicalho 49?
Fomos questionados diversas vezes nestes últimos meses em relação a nos manifestarmos sobre os últimos acontecimentos. No entanto, só poderíamos fazer isto quando todos os moradores já estivessem devidamente “seguros” e realocados, pois existe um compromisso com a vida e a segurança que está acima de qualquer postagem, ou para além de rebater qualquer mentira postada ou noticiada.

Por isto, exigimos:
1- Que o prefeito Eduardo Paes entregue as casas declaradas na referida entrevista ou venha a público manifestar uma retratação a respeito de suas falsas afirmações.
2- Solução de moradia IMEDIATA para o coletivo de moradores da Ocupação Quilombo das Guerreiras.

Nenhuma mentira, injustiça e nenhum oportunismo político serão tolerados!

Ivan está vivo em nós e sua morte não será em vão.

Porque povo de luta não é de brincadeira!
Aqui quem fala é Quilombo das Guerreiras!

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