Sobre as opressões machistas no ato do dia 20 e nossa posição (Machistas, não passarão!)

Sobre as opressões machistas no ato do dia 20 e nossa posição (Machistas, não passarão!)

No último ato do dia 20/12, o agressor machista Felipe Brás, que já havia perseguido uma companheira nossa e sofrido um escracho público pelo coletivo feminista Geni por conta disso, ameaçou e agrediu uma militante deste coletivo. Várixs companheirxs, incluindo militantes da OATL, tentaram expulsá-lo do ato após esta agressão, pois acreditamos que os espaços de militância devem ser espaços seguros e livres das opressões e que são estas que desunem a classe trabalhadora, que retiram pessoas das lutas, que afastam companheirxs da militância, que através do medo, da violência e do trauma da agressão fazem com que as pessoas oprimidas saiam dos espaços públicos de luta e que nestes permaneçam as que oprimem, seguras com seus privilégios. Foi lamentável, entretanto, ver que não apenas o agressor não foi obrigado a se retirar da manifestação, como recebeu apoio amplo no ato, mesmo após agredir na frente de todxs outra companheira de luta. Tal apoio apresentou vários elementos que acompanham a reprodução das opressões em nosso meio e que têm se repetido nos relatos do caso aqui na rede.

1) Culpabilização da vítima por supostamente atrapalhar a militância. Surpreendentemente, agressores machistas nunca são acusados de atrapalhar e desunir por suas atitudes.

2) Acusação de se tratar de um problema pessoal. Como se a opressão machista não fosse um problema público, social e político.

3) A afirmação cega pela ideologia dominante de que não haveria opressão de gênero e, portanto, homens e mulheres estariam em pé de igualdade, numa relação simétrica.

Quanto a isso tudo, gostaríamos de ressaltar que esconder a opressão só interessa ao opressor, do mesmo modo que negros e brancos não estão em pé de igualdade na nossa sociedade e as medidas afirmativas visam diminuir a assimetria existente, ações anti-machistas visam diminuir e denunciar a assimetria e opressão reinante em nossa sociedade. Escondê-la é contribuir para sua manutenção. Do mesmo modo que o sistema de cotas NÃO é racismo ao contrário, denunciar a agressão de um homem contra uma mulher não pode ser chamado de sexismo, não se pode jamais confundir o opressor com o oprimido ou fingir que dominações históricas não existem para criticar ações que visam minimizá-las. Toda opressão tem um sentido social. Toda ação em um ato é uma ação política. Nada disso é um problema pessoal dos envolvidos, somos sociais, tratam-se de posicionamentos públicos, nenhuma opressão é mais importante do que outra, nenhuma opressão pode ser tolerada. Aqueles que lutam por um mundo igualitário e livre têm responsabilidade de construí-lo em suas práticas. Não queremos comunas só de homens heteros brancos, uma revolução machista, racista e homofóbica não será jamais a nossa revolução. Até estarem todxs livres, estaremos todxs acorrentados.

Organização Anarquista Terra e Liberdade.

Esta entrada foi publicada em Notas, Uncategorized. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Uma resposta a Sobre as opressões machistas no ato do dia 20 e nossa posição (Machistas, não passarão!)

  1. Pingback: Agressor machista delata movimento social por ressentimento e autopromoção no Rio de Janeiro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.